Não é Gramado, nem Canela: a cidade brasileira de apenas 3 mil habitantes que virou destino turístico e tem mais de 200 esculturas feitas a mão em arvores

Uma pequena cidade do Rio Grande do Sul guarda uma praça incomum, onde ciprestes ganharam formas de animais, pessoas e construções

Isabella Sousa Cavalcante Isabella Sousa Cavalcante -
Victor Graeff
(Foto: Reprodução/Prefeitura de Victor Graeff)

Gramado e Canela costumam aparecer entre os primeiros destinos lembrados quando o assunto é turismo na Serra Gaúcha. No entanto, uma cidade bem menor também chama a atenção por uma atração que dificilmente passa despercebida.

Com cerca de 3 mil habitantes, Victor Graeff, no norte do Rio Grande do Sul, abriga uma praça que se transformou em um verdadeiro museu a céu aberto. O local reúne mais de 200 esculturas feitas manualmente em ciprestes, de diferentes formas e tamanhos.

A atração fica na Praça Municipal Tancredo Neves, conhecida como “A Mais Bela Praça do Rio Grande do Sul”. Além disso, o trabalho artesanal com as árvores transformou o pequeno município em uma opção diferente para quem procura destinos fora dos roteiros mais conhecidos do estado.

A praça que virou atração turística

Ao caminhar pela praça, o visitante encontra árvores cuidadosamente podadas para representar diferentes figuras. Animais, pessoas e elementos arquitetônicos aparecem entre os ciprestes, criando uma paisagem que lembra um jardim de esculturas.

A técnica utilizada recebe o nome de topiaria, que consiste em podar plantas para criar formas ornamentais. No caso de Victor Graeff, o trabalho ganhou uma dimensão ainda maior e passou a fazer parte da identidade da cidade.

Além disso, a praça integra roteiros turísticos oficiais do Rio Grande do Sul. O governo estadual destaca o espaço justamente pelas mais de 200 esculturas podadas artesanalmente em ciprestes.

Tudo começou com um jardineiro

A história das esculturas começou em 1989, quando Fredolino Selmiro Schmidt, conhecido como Seu Mírio, assumiu a manutenção da praça.

Sem formação específica em artes, ele começou a transformar os ciprestes usando tesouras de poda e muita paciência. A primeira figura criada foi uma águia e, depois, surgiu um leão. Com o passar dos anos, novas formas apareceram e o trabalho ganhou proporções impressionantes.

Atualmente, mais de 200 esculturas compõem o espaço. Cada uma exige cuidado constante, já que as plantas continuam crescendo e precisam passar por novas podas para manter os formatos.

Por isso, o resultado não funciona como uma escultura tradicional de pedra ou metal. A obra permanece viva e muda conforme a própria árvore cresce.

Uma cidade pequena com uma atração diferente

Victor Graeff fica no norte do Rio Grande do Sul, a aproximadamente 263 quilômetros de Porto Alegre. Apesar do tamanho reduzido, o município conseguiu transformar a característica da praça em um dos principais símbolos locais.

Além das esculturas, a cidade também aposta no turismo rural. Um dos destaques é o Caminho das Topiarias, Flores e Aromas, roteiro que passa por propriedades rurais, jardins e outros espaços ligados à produção local.

Assim, o passeio pode ir além da praça. O visitante também encontra paisagens do interior, jardins e tradições gastronômicas ligadas à colonização alemã da região.

O que mais conhecer por lá

A Praça Municipal Tancredo Neves é o principal ponto turístico, mas não é a única opção. O roteiro rural permite conhecer propriedades e jardins mantidos por moradores da região.

A gastronomia também faz parte da identidade local. A cuca com linguiça é um dos pratos mais conhecidos de Victor Graeff e ganhou até um festival dedicado à combinação.

Além disso, o município faz parte da chamada Rota das Terras, que reúne diferentes cidades do interior gaúcho em roteiros voltados à história, à cultura, à natureza e à gastronomia.

Um destino diferente na Serra Gaúcha

Embora Gramado e Canela concentrem grande parte da atenção dos turistas, Victor Graeff mostra que cidades pequenas também podem esconder atrações capazes de surpreender quem viaja pelo Rio Grande do Sul.

Nesse caso, o diferencial está justamente na simplicidade. Uma praça, algumas tesouras de poda e décadas de dedicação transformaram árvores comuns em centenas de esculturas vivas.

O resultado é um passeio diferente, especialmente para quem gosta de natureza, fotografia e lugares pouco convencionais. E, para uma cidade de apenas alguns milhares de moradores, ter uma praça com mais de 200 esculturas em árvores certamente não é pouca coisa.

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