Construtoras passam a esconder prédios inteiros dentro de bolhas gigantes para solucionar problema histórico de engenharia durante as obras

Estruturas enormes começaram a mudar a paisagem de grandes cidades e criam um ambiente completamente diferente para quem trabalha lá dentro

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
bolha pra esconder construção
(Foto: Reprodução)

Poeira espalhada pelas ruas, máquinas barulhentas e reclamações de quem mora ao redor fazem parte da rotina de muitos canteiros. Na China, algumas construtoras começaram a enfrentar esse problema colocando áreas inteiras das obras dentro de bolhas gigantes.

Na prática, as estruturas são grandes domos feitos com membranas resistentes. Eles cobrem o canteiro e mantêm o espaço interno separado do ambiente ao redor.

A solução ganhou destaque principalmente em regiões urbanas densamente ocupadas, onde escavações e demolições acontecem perto de residências, escolas, escritórios e estações de transporte.

Como a bolha fica em pé

Apesar do tamanho, os domos dispensam pilares espalhados pelo interior. Ventiladores mantêm uma pressão de ar ligeiramente maior dentro da estrutura, o que sustenta a membrana.

Cabos e sistemas de ancoragem ajudam a estabilizar a cobertura. Assim, escavadeiras, caminhões e outros equipamentos continuam circulando pelo canteiro com poucos obstáculos.

Um projeto implantado em Guangzhou ocupa quase 9 mil m². Já uma estrutura instalada em Shenzhen ultrapassa 12 mil m² e alcança cerca de 40 metros de altura.

O sistema também pode incorporar ventilação, controle de temperatura, pulverização de água e sensores para acompanhar as condições internas.

Poeira e barulho ficam contidos

A principal função não é acelerar a construção de paredes. O objetivo é controlar dois problemas antigos dos grandes canteiros urbanos: poeira e ruído.

Medições divulgadas em Guangzhou apontaram retenção de até 99% da poeira em um dos projetos. Outros canteiros chineses também registraram reduções expressivas de ruído após a instalação das membranas.

Além disso, a cobertura protege determinadas etapas contra chuva e vento. Uma estrutura recente de 25 mil m² em Guangzhou foi projetada inclusive para permitir trabalho sob condições climáticas adversas.

A construção civil já experimenta outras formas de mudar a rotina dos canteiros, como máquinas capazes de levantar paredes e a impressão 3D aplicada à construção de casas.

Os domos, no entanto, não são adequados para qualquer obra. Dimensões do terreno, ventilação, segurança, ancoragem e custo precisam entrar no projeto antes da instalação.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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