A psicologia revela que crianças com menos de 1 ano de idade que dormem com os pais podem apresentar essas características no desenvolvimento
Estudos não apontam relação direta entre colecho e dependência futura, mas mostram diferenças em autonomia, sono e interação social

Dormir com os pais durante os primeiros meses de vida é um hábito comum em muitas famílias. Porém, a prática ainda gera dúvidas sobre possíveis efeitos no desenvolvimento emocional e na independência das crianças.
A ciência, até agora, não mostra que o colecho provoque dependência na vida adulta. Pelo contrário, os resultados disponíveis são variados e dependem de fatores familiares, ambientais e da própria rotina da criança.
Um estudo com dados do Millennium Cohort Study, publicado em 2024, indicou que compartilhar a cama na segunda metade do primeiro ano provavelmente não tem impacto significativo sobre problemas emocionais ou comportamentais posteriores.
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O que os estudos encontraram
Algumas pesquisas observaram diferenças entre crianças que dormiam sozinhas e aquelas que compartilhavam a cama com os pais.
Em um dos estudos citados, crianças que dormiam sozinhas apresentaram maior facilidade para adormecer por conta própria, dormir durante toda a noite e encerrar a amamentação mais cedo.
Por outro lado, crianças que começaram a dormir com os pais ainda bebês foram descritas pelas mães como mais autossuficientes em algumas tarefas e mais independentes socialmente.
Isso inclui maior facilidade para realizar determinadas atividades sozinhas e interagir com outras crianças.
Colecho não determina personalidade
Os próprios pesquisadores alertam que esses resultados não permitem concluir que a forma de dormir define como a criança será no futuro.
Isso acontece porque estudos desse tipo analisam grupos relativamente pequenos e também dependem de relatos dos responsáveis.
Além disso, diversos outros fatores influenciam autonomia, comportamento e desenvolvimento emocional.
Por isso, não existe base científica para afirmar que uma criança se tornará mais dependente apenas porque dormiu com os pais durante a infância.
A maior preocupação é a segurança
Quando o assunto envolve bebês com menos de um ano, a principal recomendação médica não está relacionada à independência futura.
O ponto mais importante é a segurança durante o sono.
A Academia Americana de Pediatria recomenda que o bebê durma no mesmo quarto dos pais, mas em uma superfície própria e separada, principalmente nos primeiros seis meses.
Além disso, compartilhar a mesma cama aumenta o risco de sufocamento e outros acidentes, especialmente em bebês menores de quatro meses.
O risco cresce ainda mais quando há travesseiros, cobertores soltos, colchões macios, consumo de álcool, tabagismo ou medicamentos que reduzem a atenção dos adultos.
O que realmente importa
Portanto, os estudos não sustentam a ideia de que dormir com os pais necessariamente prejudica a independência infantil.
Algumas crianças podem apresentar maior autonomia em determinadas áreas, enquanto outras desenvolvem mais independência durante o próprio sono.
No entanto, durante o primeiro ano de vida, a prioridade deve ser garantir condições seguras para dormir.
Assim, mais do que tentar prever características futuras, os pais devem considerar principalmente as recomendações pediátricas de segurança.
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