Rede lojas de shoppings fecha mais de 100 unidades após falência
Mudança expôs dificuldades enfrentadas por negócios dependentes do movimento nos grandes centros comerciais

A Brookstone, rede americana conhecida por vender eletrônicos, acessórios para viagens e cadeiras de massagem, fechou suas 101 lojas instaladas em shopping centers após entrar com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos.
A medida foi anunciada em agosto de 2018, quando a companhia entrou com pedido de proteção pelo Chapter 11 e iniciou o encerramento das unidades.
A empresa afirmou que a queda contínua no movimento dos shoppings havia tornado o modelo tradicional de lojas cada vez mais difícil de sustentar.
O processo representou uma mudança importante na estratégia da marca. Na época, a Brookstone mantinha 35 unidades em aeroportos, além das operações de comércio eletrônico e atacado.
Documentos apresentados à Justiça americana mostraram que as lojas de shopping vinham operando com prejuízo desde 2014, enquanto as unidades em aeroportos apresentavam desempenho melhor.
Modelo mais enxuto
A diferença estava principalmente no perfil do público. Nos aeroportos, a empresa encontrava consumidores em trânsito, com tempo de espera e maior disposição para comprar produtos ligados a viagem, conforto e conveniência.
Em 2017, as lojas de aeroportos registraram US$ 37,7 milhões em vendas e resultado operacional ajustado positivo de US$ 1,4 milhão, segundo documentos do processo.
O que aconteceu depois
Para financiar a reestruturação, a Brookstone informou ter conseguido US$ 30 milhões em financiamento pós-pedido, e não cerca de R$ 165 milhões como indicado nas informações iniciais.
O processo terminou com a venda dos ativos e da marca por aproximadamente US$ 65 milhões, em outubro de 2018.
A operação não significou o desaparecimento completo do nome Brookstone, que continuou ligado a lojas em aeroportos, comércio eletrônico e licenciamentos.
O caso se tornou um exemplo das dificuldades enfrentadas pelo varejo físico americano diante da redução do fluxo nos shoppings e da mudança nos hábitos de compra.
Para a Brookstone, a saída encontrada foi reduzir a presença em grandes espaços comerciais e concentrar esforços em canais considerados mais eficientes.
A decisão também mostrou como uma rede pode manter a marca ativa mesmo depois de abandonar grande parte de sua estrutura tradicional de lojas.
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