Servidores da Educação de Goiânia que descumprirem decisão judicial terão ponto cortado

Determinação prevê presença mínima nas escolas e estabelece multa diária ao sindicato em caso de descumprimento

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Servidores da Educação de Goiânia que descumprirem decisão judicial terão ponto cortado
Determinação do Tribunal de Justiça de Goiás prevê ainda penalidade financeira ao sindicato. (Foto: Reprodução)

Servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia que descumprirem a decisão judicial que determina a manutenção de pelo menos 70% do efetivo em cada unidade poderão ter o ponto cortado, segundo informou a Prefeitura de Goiânia.

A medida tem como base uma decisão do desembargador Augusto Ventura, da 1ª Seção Cível do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que determinou que cada unidade da rede mantenha, no mínimo, 70% dos servidores administrativos em efetivo exercício.

A presença deverá ser verificada por meio dos registros de frequência funcional ou de outros meios considerados idôneos.

A decisão também prevê multa diária de R$ 5 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) em caso de descumprimento. A penalidade está limitada inicialmente a R$ 100 mil, mas o valor pode ser revisto pela Justiça.

Segundo a Prefeitura, atualmente cerca de 5% dos servidores da rede não estão cumprindo a determinação. A administração municipal estima que aproximadamente seis mil alunos tenham a rotina afetada pela paralisação.

A Prefeitura afirma que apresentou uma proposta à categoria após realizar estudos técnicos sobre o impacto financeiro das reivindicações.

O pacote prevê elevar o piso salarial do Nível I para R$ 1.640, com uma reestruturação progressiva da tabela de vencimentos até 2030.

Também está previsto o pagamento, na folha de agosto, de uma bonificação extraordinária referente ao auxílio-locomoção de julho.

Outra medida é a antecipação da data-base dos servidores para janeiro de cada ano.

A proposta ainda prevê o abono integral e incondicional dos dias de paralisação, sem prejuízo à remuneração, ao tempo de serviço, às férias, ao 13º salário, às gratificações, aos benefícios e às progressões funcionais.

Segundo o município, o impacto financeiro das medidas será de R$ 10,2 milhões em 2026. O valor chegaria a R$ 31,2 milhões em 2027 e alcançaria R$ 62,6 milhões em 2030.

Ao longo de cinco anos, o impacto acumulado estimado é de R$ 197,3 milhões.

Na terça-feira (25), a Prefeitura informou que havia utilizado os esforços técnicos e financeiros considerados viáveis para construir uma proposta capaz de atender às reivindicações sem ultrapassar os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O município também afirmou entender que o movimento passou a sofrer influência de interesses político-eleitorais e, por esse motivo, decidiu encerrar as negociações.

Entre as principais lideranças ligadas à paralisação estão a deputada estadual Bia de Lima (PT), presidente do Sintego; a vereadora Ludmylla Morais (PT), vice-presidente da entidade e presidente em exercício; e a vereadora Kátia Maria (PT).

De acordo com a Prefeitura, os estudos realizados pela Secretaria Municipal de Fazenda e pela Secretaria Municipal de Administração apontaram que a proposta está próxima do limite prudencial de despesa com pessoal.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.