Servidores da Educação de Goiânia que descumprirem decisão judicial terão ponto cortado

Determinação prevê presença mínima nas escolas e estabelece multa diária ao sindicato em caso de descumprimento

Servidores da Educação de Goiânia que descumprirem decisão judicial terão ponto cortado
Determinação do Tribunal de Justiça de Goiás prevê ainda penalidade financeira ao sindicato. (Foto: Reprodução)

Servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia que descumprirem a decisão judicial que determina a manutenção de pelo menos 70% do efetivo em cada unidade poderão ter o ponto cortado, segundo informou a Prefeitura de Goiânia.

A medida tem como base uma decisão do desembargador Augusto Ventura, da 1ª Seção Cível do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que determinou que cada unidade da rede mantenha, no mínimo, 70% dos servidores administrativos em efetivo exercício.

A presença deverá ser verificada por meio dos registros de frequência funcional ou de outros meios considerados idôneos.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

A decisão também prevê multa diária de R$ 5 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) em caso de descumprimento. A penalidade está limitada inicialmente a R$ 100 mil, mas o valor pode ser revisto pela Justiça.

Segundo a Prefeitura, atualmente cerca de 5% dos servidores da rede não estão cumprindo a determinação. A administração municipal estima que aproximadamente seis mil alunos tenham a rotina afetada pela paralisação.

A Prefeitura afirma que apresentou uma proposta à categoria após realizar estudos técnicos sobre o impacto financeiro das reivindicações.

O pacote prevê elevar o piso salarial do Nível I para R$ 1.640, com uma reestruturação progressiva da tabela de vencimentos até 2030.

Também está previsto o pagamento, na folha de agosto, de uma bonificação extraordinária referente ao auxílio-locomoção de julho.

Outra medida é a antecipação da data-base dos servidores para janeiro de cada ano.

A proposta ainda prevê o abono integral e incondicional dos dias de paralisação, sem prejuízo à remuneração, ao tempo de serviço, às férias, ao 13º salário, às gratificações, aos benefícios e às progressões funcionais.

Segundo o município, o impacto financeiro das medidas será de R$ 10,2 milhões em 2026. O valor chegaria a R$ 31,2 milhões em 2027 e alcançaria R$ 62,6 milhões em 2030.

Ao longo de cinco anos, o impacto acumulado estimado é de R$ 197,3 milhões.

Na terça-feira (25), a Prefeitura informou que havia utilizado os esforços técnicos e financeiros considerados viáveis para construir uma proposta capaz de atender às reivindicações sem ultrapassar os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O município também afirmou entender que o movimento passou a sofrer influência de interesses político-eleitorais e, por esse motivo, decidiu encerrar as negociações.

Entre as principais lideranças ligadas à paralisação estão a deputada estadual Bia de Lima (PT), presidente do Sintego; a vereadora Ludmylla Morais (PT), vice-presidente da entidade e presidente em exercício; e a vereadora Kátia Maria (PT).

De acordo com a Prefeitura, os estudos realizados pela Secretaria Municipal de Fazenda e pela Secretaria Municipal de Administração apontaram que a proposta está próxima do limite prudencial de despesa com pessoal.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.