A psicologia afirma que pessoas que sempre desejam o mal aos outros costumam esconder insegurança e frustração

Torcer repetidamente pelo fracasso alheio pode revelar conflitos internos que a própria pessoa ainda não consegue reconhecer com clareza

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Meninas Malvadas
(Foto: Divulgação/Meninas Malvadas)

A psicologia afirma que pessoas que desejam o mal aos outros com frequência podem estar lidando com sentimentos internos de insegurança, comparação e frustração. Em alguns casos, torcer pelo fracasso de alguém funciona como uma maneira de aliviar, ainda que momentaneamente, um desconforto próprio.

Isso não significa que toda atitude hostil tenha a mesma origem nem que desejar algo ruim seja justificável. Entretanto, quando o comportamento se repete, ele pode revelar mecanismos psicológicos usados para lidar com emoções difíceis.

4 características que podem aparecer por trás do comportamento

  • Insegurança: o sucesso de outra pessoa pode funcionar como comparação e despertar a sensação de inferioridade. Assim, ver o outro fracassar pode produzir uma falsa sensação de equilíbrio.
  • Frustração acumulada: dificuldades pessoais, metas não alcançadas e expectativas frustradas podem aumentar irritação e hostilidade. Estudos clássicos mostram que determinadas situações de frustração podem favorecer inclinações agressivas.
  • Projeção: nesse mecanismo de defesa, sentimentos que a pessoa tem dificuldade de reconhecer em si mesma são atribuídos aos outros.
  • Pesquisas sobre projeção mostram relação entre ameaça ao ego e atribuição de características hostis a terceiros, embora esse processo seja mais complexo do que uma simples regra.
  • Ressentimento: quando a pessoa sente que recebeu menos reconhecimento, oportunidades ou sucesso do que alguém próximo, pode começar a interpretar a conquista alheia como uma lembrança constante das próprias insatisfações.

Desejar o mal pode funcionar como defesa

A projeção é um dos mecanismos usados para explicar esse tipo de comportamento. Em vez de reconhecer sentimentos desconfortáveis, como inveja ou insegurança, a pessoa pode transferir o conflito para alguém de fora.

Por isso, frases como “ele não merece isso” ou a satisfação quando alguém falha podem, em determinados casos, falar mais sobre quem observa do que sobre quem recebeu a crítica.

Estudos sobre mecanismos de defesa também encontraram relação entre projeção e direcionamento da agressividade para fora. Isso, porém, não permite concluir que toda pessoa hostil esteja necessariamente usando o mesmo mecanismo.

Entender não significa justificar

Reconhecer possíveis causas psicológicas não transforma ataques, humilhações ou atitudes hostis em comportamentos aceitáveis.

Da mesma forma, não é possível definir a personalidade de alguém por uma única reação. Sentir inveja, irritação ou frustração ocasionalmente faz parte da experiência humana.

O sinal mais relevante aparece quando desejar o mal aos outros se transforma em padrão constante e começa a dominar amizades, relacionamentos ou a forma como a pessoa reage ao sucesso alheio.

Assim, insegurança e frustração podem estar por trás desse comportamento em algumas situações. A principal questão não é sentir uma emoção negativa ocasionalmente, mas perceber quando ela passa a orientar repetidamente a maneira de enxergar outras pessoas.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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