Neurocirurgião explica uso de “marca-passo” cerebral em casos graves de depressão e TOC
Dr. Ledismar José da Silva detalhou ao Portal 6 Ao Vivo como a técnica atua em circuitos específicos e comentou alternativas disponíveis para diferentes pacientes

Nesta terça-feira (1), o Setembro Amarelo começa em todo o país como um período de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Dentro desse contexto, o Portal 6 Ao Vivo recebeu o neurocirurgião Dr. Ledismar José da Silva, que explicou como técnicas de neuromodulação podem ser utilizadas em casos específicos de doenças neurológicas e psiquiátricas.
Entre os assuntos abordados durante a entrevista esteve a estimulação cerebral profunda, conhecida popularmente como “marca-passo cerebral”. A técnica utiliza eletrodos implantados em regiões determinadas do cérebro para interferir na atividade de circuitos associados a determinadas condições.
Segundo o especialista, o avanço dos exames de imagem, da estereotaxia e dos softwares utilizados durante os procedimentos permitiu aumentar significativamente a precisão dessas intervenções.
Durante a entrevista, Ledismar explicou que a técnica não consiste simplesmente em “estimular o cérebro”, mas em alcançar estruturas muito específicas.
“Você não opera a doença, você opera o circuito.”
Segundo ele, o cérebro possui circuitos responsáveis por conduzir diferentes tipos de informação, como pensamentos, emoções, medo, prazer e raciocínio. Em determinadas doenças, esses circuitos podem apresentar alterações, e a neuromodulação busca interferir justamente nesses caminhos.
A precisão do procedimento é obtida com o auxílio de exames como ressonância magnética e tomografia, além de sistemas de estereotaxia que permitem localizar estruturas cerebrais com grande exatidão.
O neurocirurgião explicou ainda que a técnica pode ser estudada para determinados pacientes com quadros graves e resistentes aos tratamentos convencionais, mas não é considerada uma opção inicial.
Tratamento exige avaliação de diferentes especialistas
Outro ponto destacado foi a necessidade de acompanhamento multidisciplinar. De acordo com Ledismar, o neurocirurgião não substitui o trabalho realizado pelo psiquiatra.
A indicação precisa partir de uma avaliação médica completa, com diagnóstico e análise da resposta do paciente aos tratamentos disponíveis.
Em casos psiquiátricos, medicamentos, psicoterapia e outras estratégias terapêuticas precisam ser consideradas antes de uma eventual intervenção cirúrgica.
O especialista também mencionou técnicas como estimulação magnética transcraniana e eletroconvulsoterapia entre os recursos que podem ser utilizados antes de uma cirurgia, dependendo de cada caso.
Acesso ainda é limitado no Brasil
Durante a conversa, Ledismar também falou sobre o acesso às tecnologias de neuromodulação no país. Segundo ele, apesar de algumas dessas técnicas já serem utilizadas há anos, ainda existe limitação na disponibilidade dos equipamentos, especialmente no sistema público.
Ele citou ainda a estimulação do nervo vago como outra modalidade de neuromodulação utilizada em determinados casos.
Conforme explicou, os resultados podem ser graduais e levar um período considerável para aparecer.
O médico também falou sobre a relação entre neurocirurgia e psiquiatria e sobre um projeto de doutorado relacionado ao núcleo accumbens, dor crônica e comorbidades psiquiátricas.
A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.
Confira a entrevista na íntegra:
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







