Segundo a psicologia, pessoas que não conseguem largar o celular nem por um minuto têm estas 4 características em comum

Necessidade de conferir notificações o tempo todo pode estar ligada à busca por estímulos, dificuldade de desconexão e medo de perder novidades

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Pessoa olha para o celular enquanto amigos conversam ao redor de uma mesa
(Imagem: Ilustração/IA)

O celular está sempre na mão, vai para a mesa durante as refeições e acompanha até pequenas caminhadas pela casa. Segundo a psicologia, quando a pessoa sente dificuldade de ficar alguns minutos longe do aparelho, alguns padrões comportamentais podem aparecer com maior frequência.

Pesquisas sobre uso problemático de smartphones relacionam esse comportamento a fatores como medo de perder acontecimentos, dificuldade de autorregulação, impulsividade e busca frequente por estímulos ou segurança emocional. Uma revisão que reuniu dezenas de estudos encontrou essas associações, embora elas não sirvam para diagnosticar uma pessoa isoladamente.

As 4 características mais comuns

1.Medo de ficar por fora

O chamado FOMO, sigla em inglês para “medo de ficar de fora”, aparece de forma recorrente nos estudos sobre uso problemático do smartphone.

A pessoa pode sentir necessidade de verificar mensagens, notícias e redes sociais para ter certeza de que não perdeu algo importante. Pesquisas encontraram associação consistente entre FOMO e maior intensidade de uso do celular.

2. Dificuldade de controlar impulsos

Outro comportamento é pegar o aparelho quase automaticamente quando surge uma notificação ou simplesmente durante alguns segundos de espera.

Estudos também apontam a impulsividade e menor capacidade de autorregulação entre os fatores associados ao uso problemático de smartphones.

Essa dificuldade de desconexão também aparece em hábitos como dormir com o celular praticamente ao alcance das mãos.

3. Busca constante por estímulos

Fila, elevador, intervalo ou alguns minutos sem tarefa podem ser suficientes para abrir uma rede social ou assistir a vídeos.

A tendência pode estar ligada à dificuldade de tolerar o tédio. Revisões científicas encontraram justamente a propensão ao tédio entre os fatores relacionados ao uso excessivo do aparelho.

4. Necessidade de permanecer conectado

Para algumas pessoas, o celular também funciona como uma forma permanente de manter contato e receber sinais de que está tudo bem nas relações sociais.

Pesquisas descrevem um padrão chamado de busca por reafirmação, no qual mensagens e interações digitais ajudam a reduzir temporariamente inseguranças sobre vínculos e acontecimentos sociais.

Por outro lado, existem pessoas que conseguem preservar maior autonomia diante das notificações e não sentem necessidade de responder mensagens imediatamente.

Usar muito o celular não significa dependência

Passar bastante tempo no smartphone não basta para concluir que existe um problema psicológico.

Trabalho, estudo, GPS, banco, conversas e entretenimento também aumentam naturalmente o tempo de tela. O sinal de atenção aparece principalmente quando a pessoa quer diminuir o uso, mas não consegue, ou quando o aparelho começa a prejudicar sono, concentração, relacionamentos e outras atividades.

Uma meta-análise com mais de 33 mil universitários encontrou associações entre uso problemático do celular, impulsividade e pior qualidade do sono, mas isso não significa que o smartphone seja necessariamente a causa desses problemas.

Assim, as quatro características não definem todas as pessoas que vivem com o celular nas mãos. Elas ajudam apenas a entender por que, para algumas, permanecer alguns minutos desconectadas pode ser muito mais difícil do que parece.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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