Segundo a psicologia, pessoas que coloca vários horários no despertador para acordar costumam ter estas características em comum

Para algumas pessoas, um único toque nunca parece suficiente, e estudos ajudam a entender o que existe por trás dessa rotina matinal.

Cristiano Roonowa Cristiano Roonowa -
vários depertadores no celular
(Imagem: Ilustração/IA)

Tem gente que programa o despertador para 6h30 e simplesmente levanta. Para outras pessoas, porém, a manhã começa com uma sequência: 6h, 6h10, 6h20, 6h30 e, por garantia, mais um alarme alguns minutos depois.

Embora pareça apenas uma estratégia para não perder a hora, pesquisas em psicologia do sono indicam que quem depende de vários alarmes costuma compartilhar alguns padrões.

Isso não significa que exista uma “personalidade de quem coloca vários despertadores”. Estudos encontraram associações principalmente com o ritmo biológico, a sonolência ao acordar e a forma como a pessoa lida com a possibilidade de dormir além da conta.

Tendência a funcionar melhor mais tarde

Uma pesquisa publicada no Journal of Sleep Research acompanhou os hábitos de 1.732 pessoas. Entre elas, 69% disseram usar a função soneca ou configurar vários alarmes pelo menos algumas vezes.

Quem recorria a esse comportamento tinha quase quatro vezes mais chance de apresentar cronotipo noturno, ou seja, preferência por dormir e acordar mais tarde.

Esse padrão se relaciona ao próprio relógio biológico que ajuda o organismo a definir os horários de sono e despertar.

Mais dificuldade para despertar de uma vez

No mesmo estudo, quem usava vários alarmes tinha três vezes mais chance de relatar sonolência mental ao acordar.

A razão mais citada pelos participantes foi justamente sentir cansaço demais para levantar imediatamente. Outros afirmaram gostar de acordar aos poucos.

Esse período de lentidão após abrir os olhos recebe o nome de inércia do sono.

Sono ligeiramente mais curto durante a semana

Os usuários de vários alarmes dormiam, em média, 13 minutos a menos nos dias de trabalho do que aqueles que levantavam no primeiro toque. A diferença desaparecia nos dias de folga.

Por isso, programar cinco alarmes não necessariamente significa preguiça. Em alguns casos, pode refletir uma rotina que obriga alguém de perfil mais noturno a acordar antes do momento que o organismo preferiria.

Preocupação em não perder a hora

Outro estudo, realizado com universitários japoneses, encontrou uma motivação diferente. Entre os participantes que utilizavam a função soneca, muitos afirmaram fazê-lo para reduzir a ansiedade de dormir demais.

Nesse caso, os vários alarmes funcionam como uma espécie de garantia: mesmo que o primeiro falhe, haverá outro.

Isso não significa necessariamente que o hábito seja ruim. Um experimento com usuários frequentes descobriu que até 30 minutos de soneca não prejudicaram o desempenho cognitivo imediato e, em algumas tarefas, até ajudaram.

Ainda assim, quando levantar se torna extremamente difícil todos os dias, vale observar primeiro a duração e a regularidade do sono, fatores mais importantes do que simplesmente aumentar a quantidade de alarmes.

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Cristiano Roonowa

Cristiano Roonowa

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). É estagiário no Portal 6 desde agosto de 2026.

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