Museu do Césio-137 em Goiânia terá inspiração no memorial do 11 de Setembro
Prefeitura deve criar um ambiente permanente para contar a memória do acidente radiológico e homenagear os atingidos

Sancionado no final do mês de agosto, o futuro Memorial e Museu do Césio-137 de Goiânia deverá se inspirar no memorial do Word Trade Center, em Nova Iorque, construção americana que homenageia as mais de 2.700 vítimas do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.
O museu fica no mesmo espaço onde ficavam as torres gêmeas, atingidas pelos aviões. No caso do memorial goiano, ainda não há local definido, mas a expectativa é de que a construção seja erguida no setor Central, onde o acidente ocorreu.
“Nossa ideia é ter um local em Goiânia, assim como existe em Nova York, nos Estados Unidos, no Museu e Memorial do World Trade Center. O local preserva a história e a memória das vítimas do atentado. É importante termos esse mesmo espaço aqui, na Capital, e preservamos ainda mais o Centro de Ciências Nucleares”, explicou o vereador Lucas Kitão (Mobiliza), autor do projeto, na ocasião a sanção da lei.
A ideia, assim como no World Trade Center, é destinar um ambiente que preserve a história do maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de usinas nuclares.
Conforme a lei aprovada, o museu poderá contar com acervo histórico documental e audiovisual, espaço para exposições temporárias e permanentes, homenagens com os nomes das vítimas, auditório e centro de pesquisa e documentação.
O espaço também servirá de ambiente educativo para escolas, universidade e visitantes em geral.
Dor e memória
O acidente aconteceu em 13 setembro de 1987 e está prestes a completar 39 anos. Na ocasião, os catadores de recicláveis Roberto Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, no Centro.
A cápsula protetora que continha o Césio-137 foi inicialmente violada pelos catadores, mas aberta totalmente alguns dias depois por Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho que comprou o equipamento.
Encantado com o brilho contido dentro da cápsula, Devair espalhou o pó de Césio-137 e o distribuiu para familiares, funcionários e amigos, o que gerou a contaminação em massa e resultou nas primeiras mortes da tragédia.
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