Maria Montessori, professora e educadora italiana: “Nunca ajude uma criança em uma tarefa na qual ela sente que pode ter sucesso”

Frase atribuída à educadora italiana propõe uma mudança simples na forma como adultos lidam com as tentativas e dificuldades das crianças

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
educação infantil
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

A autonomia infantil começa em situações simples do cotidiano. Vestir uma roupa, guardar um brinquedo ou tentar fechar um zíper são tarefas que podem parecer pequenas para um adulto, mas representam oportunidades importantes de aprendizado para uma criança.

É nesse contexto que aparece uma conhecida frase atribuída a Maria Montessori: “Nunca ajude uma criança em uma tarefa na qual ela sente que pode ter sucesso”. A ideia resume um dos princípios associados à educadora italiana: permitir que a criança experimente e descubra suas próprias capacidades.

Quando ajudar pode atrapalhar

Para um adulto, pode ser tentador fazer determinada tarefa pela criança quando ela demora ou encontra dificuldade.

Porém, quando ela demonstra que consegue continuar sozinha, interromper o processo pode tirar uma oportunidade de aprendizado.

A criança precisa de tempo para tentar, errar e começar novamente. Dessa forma, ela percebe que consegue superar pequenos desafios sem depender imediatamente de outra pessoa.

Esse processo também pode fortalecer a confiança. Afinal, existe uma diferença entre ouvir que é capaz e experimentar a sensação de concluir uma tarefa por conta própria.

O que Montessori defendia

Maria Montessori desenvolveu uma proposta educacional que valorizava a participação ativa da criança. Em vez de controlar cada etapa, o adulto deveria preparar o ambiente e observar o desenvolvimento infantil.

A própria Association Montessori Internationale reúne textos da educadora sobre a importância da atividade independente e registra a ideia de que a criança precisa de oportunidades para demonstrar suas próprias capacidades.

Por isso, a proposta não significa simplesmente deixar a criança sozinha.

O papel do adulto continua importante. A diferença está em saber quando oferecer ajuda e quando permitir que ela tente.

Pequenas tarefas podem ensinar muito

Algumas situações do dia a dia mostram como esse princípio pode funcionar.

Se a criança tenta colocar os próprios sapatos, por exemplo, o adulto pode esperar antes de fazer a tarefa por ela.

O mesmo vale para guardar brinquedos, organizar materiais, vestir uma peça de roupa ou encaixar objetos.

Quando a atividade é adequada à idade e não oferece riscos, deixar a criança tentar pode transformar uma tarefa comum em uma experiência de aprendizagem.

Além disso, o adulto pode oferecer uma orientação sem assumir completamente a execução. Em vez de fazer tudo, pode mostrar o primeiro passo e permitir que a criança continue.

Isso não significa nunca ajudar

A frase não deve ser interpretada de maneira literal em todas as situações.

Se a criança corre risco, enfrenta uma tarefa muito acima de sua capacidade ou demonstra que realmente precisa de ajuda, a intervenção do adulto se torna necessária.

O mais importante é observar antes de agir.

Quando a criança ainda está tentando e demonstra confiança, vale dar espaço. Se ela pedir ajuda ou não conseguir avançar, o adulto pode oferecer apoio de maneira gradual.

Assim, a proposta associada a Montessori não elimina a participação dos pais ou professores. Ela sugere uma mudança de postura: em vez de fazer pela criança aquilo que ela já consegue tentar, o adulto pode ajudá-la a descobrir que é capaz de fazer sozinha.

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