Descontos de até 30% e prejuízo milionário: polícia de Goiás investiga esquema com vale-alimentação em 220 municípios
Empresa teria deixado de repassar valores a milhares de comerciantes após receber pagamentos de prefeituras; prejuízo em Barro Alto supera R$ 800 mil

A Polícia Civil (PC) deflagrou nesta quarta-feira (23) a Operação Fake Card para investigar um grupo suspeito de desviar milhões de reais por meio de uma empresa responsável pela administração de cartões de vale-alimentação e vale-refeição.
A ação é conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), e cumpre 10 medidas cautelares, incluindo três mandados de prisão temporária, seis mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens e valores.
As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Barueri, Limeira e São Paulo, no estado de São Paulo, com apoio da Polícia Civil (PC) paulista e do CiberLab do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As investigações começaram a partir de um caso em Barro Alto, Centro-Norte de Goiás, onde a prefeitura contratou a empresa para administrar os cartões dos servidores municipais.
O município fazia os repasses mensais à administradora, que deveria transferir os valores aos estabelecimentos credenciados pelas compras realizadas pelos funcionários.
No entanto, a partir de meados de 2025, os pagamentos começaram a atrasar e, em setembro do mesmo ano, foram interrompidos.
Somente em Barro Alto, o prejuízo causado aos comerciantes locais ultrapassa R$ 800 mil. Um dos estabelecimentos relatou perda superior a R$ 200 mil.
“Esquema de pirâmede”
Segundo a PC, a apuração indicou que o caso não seria apenas um problema contratual, mas uma fraude estruturada com características semelhantes às de uma pirâmide financeira.
A investigação aponta que a empresa conquistava contratos públicos oferecendo descontos considerados inviáveis, com deságios médios de 17% e que chegavam a 30,5%.
Os valores recebidos em novos contratos seriam utilizados para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores, mantendo a aparência de funcionamento regular.
Quando a entrada de novos contratos diminuiu, o esquema teria entrado em colapso. Aos comerciantes, os responsáveis alegaram que a empresa teria sido vítima de um ataque hacker e citaram um processo criminal que, segundo a corporação, não existiria na Justiça paulista.
Diversas vítimas
A apuração identificou contratos firmados com mais de 220 municípios dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Ainda conforme a PC, os investigados também teriam utilizado empresas ligadas ao grupo e contas pessoais para movimentar os valores e dificultar o rastreamento dos recursos.
Durante a operação, cerca de 40 policiais civis participaram das diligências. O bloqueio de bens e valores alcança aproximadamente R$ 1 milhão, incluindo seis imóveis localizados em Limeira e São Paulo.
Os envolvidos são investigados pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão dos prejuízos causados aos comerciantes e municípios atingidos.
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