Em resultado raro, candidata consegue sozinha os votos de uma cadeira em Goiás
Carol do Amiltinho foi a única entre os 41 deputados estaduais eleitos a superar o quociente eleitoral, feito que não havia sido registrado nos últimos três pleitos

A votação histórica de Carol do Amiltinho (MDB), que recebeu 109.002 votos nas eleições de domingo (04), também produziu um resultado pouco comum na política goiana.
Ela foi a única candidata a deputado estadual que conseguiu, sozinha, ultrapassar a quantidade de votos correspondente a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
A marca ganha ainda mais destaque quando comparada às últimas três eleições. Em 2014, 2018 e 2022, nem mesmo os candidatos que lideraram a votação conseguiram atingir individualmente o chamado quociente eleitoral, que neste ano ficou em 88.731 votos.
Carol ultrapassou esse número em 20.271 votos. Já Fabrício Rosa (PT), segundo colocado na disputa, recebeu 81.540 e ficou abaixo da marca.
Foi a mais votada em 12 cidades, incluindo Anápolis (61.717 votos), Cristalina (10.260), Abadiânia (2.330), Goianápolis (1.652), São Francisco de Goiás (1.647) e São Miguel do Araguaia (1.408).
O quociente eleitoral é calculado dividindo o total de votos válidos pela quantidade de vagas disponíveis. Como Goiás elege 41 deputados estaduais, foram necessários aproximadamente 88,7 mil votos para cada cadeira na distribuição inicial.
Isso não significa, porém, que todos os eleitos precisaram alcançar essa votação. No sistema proporcional, os votos recebidos pelos candidatos de um mesmo partido ou federação são somados para definir quantas vagas cada legenda conquista. Essas cadeiras são então preenchidas conforme a votação individual e as regras eleitorais.
Um resultado que não se repetia há três eleições
Em 2022, Bruno Peixoto (UB) foi o deputado estadual mais votado de Goiás, com 73.692 votos, enquanto o quociente eleitoral era de 82.725. Ou seja, mesmo liderando a disputa, ficou quase 10 mil votos abaixo da marca.
Situação semelhante ocorreu em 2018, quando Henrique César, à época no PSC que foi incorporado ao Podemos, recebeu 46.545 votos, diante de um quociente de 75.170. Já em 2014, Mané de Oliveira (PSDB) liderou com 62.655 votos, também abaixo dos 76.478 necessários naquela eleição.
O cenário mudou em 2026, mesmo com o aumento da quantidade de votos necessária para conquistar uma cadeira. Além de ultrapassar o quociente, Carol estabeleceu um novo recorde individual de votação para deputado estadual em Goiás.
Isso não significa, entretanto, que ela tenha conquistado uma vaga independentemente do MDB. Como a eleição é proporcional, a distribuição das cadeiras considera a votação conjunta de cada partido ou federação. A particularidade é que, entre todos os candidatos deste ano, somente Carol recebeu individualmente mais votos do que o quociente eleitoral.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








