“Quem é Mariana?”: publicação de Janones sobre Flávio Bolsonaro viraliza e movimenta a internet
Internautas associaram a pergunta à ex-chefe de gabinete Mariana Mota, citada em investigação sobre rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

Uma publicação do deputado federal André Janones (Rede-MG) nesta quarta-feira (21) trouxe novamente à discussão o nome de Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, ex-chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Após escrever “Quem é Mariana?” nas redes sociais, o parlamentar pediu que seguidores do canal “Exército do Lula” impulsionassem a hashtag #QuemEMarianaFlavio.
Com isso, internautas recuperaram reportagens sobre a ex-assessora, citada em investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sobre o caso das rachadinhas. Entretanto, Janones não explicou a quem se referia.
Quem é Mariana e o que apontou a investigação?
- Mariana Mota chefiou o gabinete de Flávio Bolsonaro entre 2003 e 2007. Na época, ele exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela deixou a chefia em dezembro de 2007.
- Em reportagem publicada pelo Estadão em 18 de dezembro de 2019, os jornalistas Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo divulgaram informações de um relatório do MP-RJ. Segundo os investigadores, Mariana teria recolhido parte dos salários de assessores antes de Fabrício Queiroz assumir essa função.
- O Ministério Público identificou R$ 39,4 mil em 15 transferências bancárias feitas pelo ex-assessor Jorge Luis de Souza para Mariana, entre janeiro de 2007 e março de 2008. O valor correspondia a aproximadamente 45% da remuneração do servidor.
- Além disso, os investigadores apontaram saques em dinheiro que somavam R$ 134 mil. Conforme o relatório, Mariana teria retirado cerca de 40% dos salários que recebeu durante o período analisado.
Quem é Mariana ?
— André Janones (@AndreJanonesMG) October 21, 2026
Pagamentos para primo de Flávio e outros vínculos
- Em março de 2021, uma investigação do UOL identificou pagamentos feitos por Mariana para despesas de uma quitinete no centro do Rio de Janeiro. O imóvel era utilizado por Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, primo de Flávio Bolsonaro.
- Foram cinco transferências realizadas em 2007 para Norival Dantas, responsável pela locação. Algumas operações apresentavam identificações como “leo”, “aluguel” e “al.leo”. Na época, Léo Índio também constava como assessor de Flávio na Alerj.
- Mariana também mantinha vínculos com Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Flávio Bolsonaro. Além disso, o MP-RJ citou a nomeação de Catarina Ramos Mota, filha de Mariana, como assessora parlamentar. Catarina possuía participação em uma empresa ligada a Ana Cristina.
Por que o caso das rachadinhas foi arquivado?
- O Ministério Público denunciou Flávio Bolsonaro em 2020 por suspeitas de participação em um esquema que teria desviado aproximadamente R$ 6 milhões da Alerj. A investigação também analisou possíveis irregularidades em outros gabinetes da família, conforme reportagens sobre o caso das rachadinhas.
- Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) anularam decisões e provas da investigação. Por isso, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro arquivou a denúncia em maio de 2022, antes de examinar o mérito das acusações.
- Em 2025, o STF também rejeitou uma tentativa de reabrir o caso. Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz sempre negaram as acusações. O Portal 6 também noticiou os efeitos do arquivamento da investigação em reportagem publicada em julho de 2026.
O que dizem as defesas de Mariana e Flávio Bolsonaro?
- Em nota encaminhada ao Poder360 nesta quarta-feira (21), a defesa de Mariana afirmou que recebeu com surpresa a mobilização de Janones. Os advogados destacaram que ela “nunca foi indiciada ou denunciada por esta ou por qualquer outra prática”.
- A defesa também criticou a iniciativa do deputado. No posicionamento, os advogados mencionaram as acusações feitas por ex-assessores de Janones. Em março de 2025, o STF homologou um acordo de não persecução penal firmado pelo parlamentar com a Procuradoria-Geral da República.
- Já a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou, após o arquivamento de 2022, que as provas haviam sido invalidadas pela Justiça. Em manifestação anterior ao Poder360, a advogada Luciana Pires declarou que considerava o caso encerrado.
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