Milhões de peixes são lançados de aviões nos Estados Unidos para repovoar lagos remotos em locais de difícil acesso
A técnica, usada há mais de 70 anos, garante mais de 95% de sobrevivência e une ciência, eficiência e preservação ambiental

Durante o verão, aviões sobrevoam regiões montanhosas dos Estados Unidos e lançam centenas de milhares de peixes jovens em lagos remotos.
O que parece cena de filme é, na verdade, um método de conservação adotado há mais de sete décadas e que continua em uso até hoje.
O repovoamento aéreo nasceu da necessidade de levar peixes até locais de difícil acesso. Antes da aviação, o transporte era feito por mulas, com latas de leite pesando até 23 quilos.
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O processo era lento, desgastante e muitos animais morriam pelo estresse.
Nos anos 1930, clubes de pesca em Nova York começaram a usar aviões para transporte. A virada ocorreu na década seguinte, no estado do Maine, quando guardas florestais descobriram que os alevinos conseguiam sobreviver se lançados na altura e velocidade ideais.
Técnica consolidada nos anos 1950
Em 1956, Utah registrou os primeiros voos de repovoamento em escala. Um único piloto podia abastecer até oito lagos em poucas horas — um feito impossível por terra.
As aeronaves voam entre 50 e 150 pés acima da água. Como os peixes são minúsculos e leves, atingem a velocidade terminal rapidamente e entram na água sem ferimentos. O resultado impressiona: taxa de sobrevivência superior a 95%.
Operação de alta precisão
Os aviões usados possuem tanques sob medida e compartimentos que separam as espécies destinadas a cada lago. Antes do embarque, os peixes passam por um breve jejum para reduzir o estresse durante o voo.
Depois da soltura, biólogos checam a sobrevivência com redes e monitoramento direto. Em muitos casos, o transporte aéreo causa menos danos que o rodoviário, onde vibrações e calor elevam a mortalidade.
Pesca, conservação e economia
A prática também alimenta uma indústria milionária. A pesca recreativa movimenta cerca de 1 bilhão de dólares por ano nos Estados Unidos, e parte dessa receita financia programas estaduais de conservação, pesquisa e educação ambiental.
Para evitar desequilíbrios ecológicos, as espécies soltas costumam ser híbridos estéreis, incapazes de se reproduzir, o que protege as populações nativas e mantém os ecossistemas sob controle.
Tecnologia e natureza lado a lado
O princípio que nasceu no século passado continua atual. Hoje, drones com sensores LIDAR e inteligência artificial já são usados para reflorestar áreas queimadas e recuperar habitats degradados.
A lógica é a mesma: vencer distâncias, agir com precisão e ajudar a natureza a se regenerar.
Mais do que uma curiosidade, o lançamento aéreo de peixes representa a capacidade humana de aliar tecnologia e meio ambiente.
De uma solução improvisada nos anos 1940 a um modelo moderno de gestão ambiental, o método mostra que o progresso pode, sim, cair do céu — e ainda salvar vidas.
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