Candidatura de Flávio Bolsonaro embaralha união de governadores da direita para 2026

Até agora, a candidatura do senador aponta para um cenário de fragmentação em vez de unificação da oposição a Lula no primeiro turno

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Candidatura de Flávio Bolsonaro embaralha união de governadores da direita para 2026
Senador Flávio Bolsonaro. (Foto: Senado Federal do Brasil)

CAROLINA LINHARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que seu representante na eleição de 2026 seria seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embaralhou as possibilidades de alianças que se desenhavam entre os governadores da direita cotados para o Palácio do Planalto – Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).

Até agora, a candidatura do senador aponta para um cenário de fragmentação em vez de unificação da oposição a Lula (PT) no primeiro turno. Embora Tarcísio indique que não vá concorrer para apoiar Flávio, o nome de Ratinho voltou a ganhar força como alternativa ao senador, enquanto Zema e Caiado afirmam que também vão disputar a Presidência da República.

Segundo interlocutores de Tarcísio, o governador havia sinalizado que Zema e Ratinho eram seus preferidos, nesta ordem, para ocuparem sua vice, caso concorresse ao Planalto – ele tem repetido que vai disputar a reeleição em São Paulo. Agora, o governador de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, é tido como um vice que poderia agregar às campanhas de Ratinho ou Flávio.

Antes de Flávio se lançar ao Planalto, no início de dezembro, os governadores da direita haviam consolidado um grupo que mantinha contato frequente e partilhava as mesmas opiniões em temas como segurança pública e anistia aos acusados de golpismo. A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos foi outro episódio em que os mandatários mostraram um discurso unificado.

O alinhamento levou a especulações sobre possíveis alianças eleitorais, que partiam da premissa de que Tarcísio seria o candidato principal e prioritário, pela ligação com Bolsonaro e por governar o estado de maior importância.
Zema, por exemplo, já disse no passado que Tarcísio era o nome mais forte da direita e que poderia abrir mão de concorrer em nome do objetivo maior de derrotar o PT. O Novo lançou a pré-candidatura do governador em agosto, ocasião em que ele admitiu que poderia compor com outros partidos se Bolsonaro pedisse.

Mais recentemente, em outubro, o mineiro disse descartar a possibilidade de ser vice e que manterá sua candidatura ao Palácio do Planalto independentemente do aval do ex-presidente.

Se Tarcísio e Zema tinham sintonia, uma chapa formada por Flávio e pelo mineiro é uma hipótese considerada mais difícil, dada a falta de convivência entre o senador e o governador e a oposição de parte do Novo em se aliar com o bolsonarismo já no primeiro turno.

Ao mesmo tempo em que murchou a candidatura de Tarcísio, a decisão de Flávio voltou a impulsionar a de Ratinho. O nome do governador do Paraná é mencionado como opção de partidos da direita e da centro-direita que resistem a apoiar o filho de Bolsonaro.

Secretário de Tarcísio e presidente do PSD, Gilberto Kassab já declarou que não lançaria uma candidatura presidencial do seu partido caso o governador de São Paulo fosse candidato – mas o compromisso não se mantém com a candidatura de Flávio.

Em dezembro, ele indicou que não deve haver uma aliança do partido com o senador bolsonarista. “O PSD tem como uma decisão apoiar o Tarcísio caso ele seja candidato. E, se ele não for candidato, nós temos dois pré-candidatos dentro do partido”, disse em referência a Ratinho e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

Em um cenário com Flávio candidato, a possibilidade de união eleitoral dos governadores se resumiria basicamente a uma chapa Ratinho-Zema, que é cogitada por aliados ainda que o governador de Minas diga estar decidido a manter seu nome no pleito.

Caiado, por sua vez, é visto como alguém que corre por fora, já que dificilmente iria retirar sua candidatura em prol de outro nome, mas provavelmente apoiaria qualquer candidatura de oposição no segundo turno.

Quando Flávio entrou em pré-campanha, o governador de Goiás afirmou que era direito de Bolsonaro tentar viabilizar a candidatura do filho, mas reforçou sua decisão de concorrer.

Em dezembro, Caiado recebeu o senador para tratar da eleição, especialmente da disputa estadual.

Caiado, porém, tem questões partidárias a resolver. A federação União Brasil-PP não decidiu endossar o governador e tinha preferência pelo nome de Tarcísio inicialmente. Na última semana, contudo, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou à reportagem que descartava a candidatura do governador de São Paulo e que apostava em Flávio.

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