Fim da jornada 6×1: supermercados começam a aderir antecipadamente a escalas reduzidas para conter a falta de mão de obra e melhorar a qualidade de vida dos funcionários
Movimentação ocorre em um momento em que o varejo enfrenta um dos seus maiores desafios recentes

A proposta que discute o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 ainda não foi aprovada em definitivo, mas já vem provocando reflexos práticos no setor supermercadista. Pressionadas pela dificuldade de contratar, pela alta rotatividade de funcionários e pelo desgaste das equipes, redes de supermercados começaram a se antecipar ao debate e a testar escalas reduzidas, com mais dias de descanso e até mudanças no funcionamento das lojas.
A movimentação ocorre em um momento em que o varejo enfrenta um dos seus maiores desafios recentes: encontrar trabalhadores dispostos a cumprir jornadas longas, com atuação frequente aos fins de semana e feriados.
Para muitos empregadores, manter o modelo tradicional tem se tornado insustentável, tanto do ponto de vista operacional quanto humano.
Mesmo sem uma obrigação legal, a estratégia tem sido rever escalas e tentar oferecer mais previsibilidade e qualidade de vida aos funcionários.
Em São Paulo, por exemplo, duas redes conhecidas — Pague Menos e Savegnago — já adotaram medidas que incluem o fechamento de unidades aos domingos em determinadas localidades, reduzindo a carga semanal e permitindo folgas mais consistentes às equipes. A ideia é simples: melhorar as condições de trabalho para conseguir manter os profissionais no quadro.
Nos bastidores do setor, a avaliação é de que a discussão sobre o fim da escala 6×1 acelerou um processo que já estava em curso. O varejo alimentar, tradicionalmente resistente a mudanças na jornada, passou a enxergar que oferecer mais descanso deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e se transformou em vantagem competitiva na disputa por mão de obra.
Além disso, gestores avaliam que funcionários menos sobrecarregados tendem a apresentar menos afastamentos, maior produtividade e melhor atendimento ao público, o que pode compensar eventuais ajustes no horário de funcionamento.
Em alguns casos, a reorganização das escalas vem acompanhada do reforço em horários de maior movimento e da ampliação de serviços como delivery e retirada de compras agendadas.
Embora ainda não exista uma definição nacional sobre o fim da jornada 6×1, o cenário indica que parte do mercado prefere se adaptar gradualmente, testando modelos e avaliando impactos, em vez de esperar uma mudança abrupta na legislação. Para os trabalhadores, o movimento é visto como um avanço na busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Para os supermercados, é uma tentativa de responder a uma realidade cada vez mais clara: sem oferecer melhores condições, ficará cada vez mais difícil manter as lojas funcionando com equipes completas.
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