Colégio Delta de Anápolis admite problemas financeiros, mas se cala sobre demissões e processos na Justiça
Enquanto isso, instituição faz reformas em suas instalações e justifica que os "investimentos estruturais não se confundem com a gestão da folha"

Com a colaboração de repórteres do Portal 6, a coluna Rápidas apurou que o Colégio Delta de Anápolis atravessa uma crise trabalhista marcada por atrasos salariais recorrentes, ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e demissões sem comunicação formal.
Relatos de professores que atuaram e ainda atuam na instituição indicam que os problemas não são recentes e se repetem há anos, com descumprimento de obrigações trabalhistas básicas. Em janeiro deste ano, novos atrasos no pagamento de salários voltaram a ser registrados.
Além disso, profissionais que trabalharam no colégio ao longo de 2025 afirmam não ter recebido o décimo terceiro salário referente ao período. Com o início do ano letivo seguinte, esses professores deixaram de ser convocados para dar aulas e também não receberam qualquer notificação formal de desligamento, o que os colocou em um limbo jurídico e financeiro.
Apesar do cenário relatado por funcionários, reformas estruturais seguem em andamento nas instalações da unidade, o que gerou questionamentos sobre as prioridades da gestão.
Procurado pelo Portal 6, o Colégio Delta enviou nota na qual admite dificuldades financeiras ao informar que os depósitos fundiários estão em processo de conferência e regularização, além da organização de um cronograma interno para a quitação de verbas remanescentes.
A instituição não informou quantos profissionais estariam nessa situação. Sobre as obras, afirmou que os investimentos estruturais decorrem de contratos e obrigações previamente assumidas, alegando que não se confundem com a gestão da folha de pagamento. A resposta, no entanto, não esclarece como a instituição mantém reformas enquanto salários e FGTS seguem pendentes.
O colégio também atribuiu os problemas a uma transição de proprietários ocorrida em fevereiro de 2025, sem detalhar de que forma essa mudança justificaria o não cumprimento de obrigações trabalhistas legais.
Na nota, a direção afirma estar adotando medidas de reequilíbrio financeiro e sustenta que, atualmente, não existem salários em atraso para professores. Questionada sobre eventual risco de insolvência, a instituição evitou responder e afirmou que os conflitos estão sendo tratados no âmbito judicial, onde tramitam diversos processos trabalhistas contra o colégio.
Confira a íntegra da nota do Colégio Delta
“Em razão de questionamentos que nos foram repassados e serão abordados em reportagem jornalística, a empresa apresenta a seguir sua versão dos fatos, com o objetivo de contribuir para o correto esclarecimento das informações.
Esclarece-se, que em fevereiro de 2025 ocorreu transição de proprietários, ocasião em que a atual gestão deixou de integrar totalmente o grupo Delta Goiânia, passando a atuar de forma independente. Esse processo implicou ajustes administrativos naturais, os quais vêm sendo conduzidos com responsabilidade, transparência e respeito aos profissionais envolvidos, sem deixar as demandas já existentes em anos anteriores à deriva.
A instituição enfrentou ajustes financeiros pontuais e está sempre adotando medidas para garantir a regularidade dos pagamentos, priorizando a quitação dos compromissos trabalhistas. Não existem salários em atraso para professores atualmente e a instituição está organizando o cronograma interno para a quitação das verbas remanescentes.
Os depósitos fundiários estão em processo de conferência e regularização, com acompanhamento contábil e jurídico em conjunto com a CEF através de acordos já realizados.
A composição do corpo docente é revista anualmente conforme demanda pedagógica, carga horária e reorganização acadêmica, assim como ocorre em todas as instituições de ensino.
Os investimentos estruturais decorrem de contratos e obrigações previamente assumidas, não se confundindo com a gestão da folha.
A instituição mantém suas atividades regulares e está adotando medidas de reequilíbrio financeiro, o que vem ocorrendo com sucesso.
Eventuais divergências pontuais, quando existentes, estão sendo tratadas no âmbito judicial, que é a via adequada para a apuração técnica dos fatos, com observância do contraditório e da ampla defesa.
A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, com a legalidade e com a valorização de seus colaboradores, e informa que permanece à disposição de pais, responsáveis e colaboradores para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.”







