Idosos que trabalham depois de se aposentar podem ter aposentadoria acima do valor atual com novo decreto

Um detalhe no sistema previdenciário reacende expectativas antigas entre segurados

Magno Oliver Magno Oliver -
INSS
(Foto: Reprodução)

A possibilidade de revisão do valor da aposentadoria para quem continua trabalhando após se aposentar voltou a ganhar espaço no Congresso Nacional.

Em discussão no Senado Federal, uma proposta legislativa reacende o debate sobre o aproveitamento das contribuições feitas após a concessão do benefício, tema que há anos mobiliza aposentados, especialistas e entidades representativas.

O centro da discussão é o Projeto de Lei nº 299/2023, de autoria do senador Paulo Paim, que trata da chamada desaposentação.

O texto prevê a possibilidade de o aposentado renunciar ao benefício em vigor e solicitar um novo cálculo junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), considerando todo o período contributivo, inclusive aquele posterior à primeira aposentadoria.

Atualmente, mesmo após se aposentar, o segurado que permanece no mercado formal é obrigado a continuar contribuindo para a Previdência Social.

No entanto, essas contribuições adicionais não geram qualquer impacto no valor do benefício já concedido, o que é apontado por especialistas como uma distorção do sistema previdenciário.

A proposta busca corrigir essa lógica, tornando o processo voluntário e condicionado a requerimento do próprio aposentado.

Com a soma de novos períodos de contribuição e, em muitos casos, salários mais elevados, a expectativa é de que o valor recalculado seja superior ao benefício original.

Técnicos da área previdenciária destacam que o eventual ganho tende a ser mais significativo para quem permaneceu vários anos na ativa após a aposentadoria, ampliando a base de cálculo do benefício.

O debate sobre a desaposentação não é recente. Em 2016, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o recálculo do benefício não poderia ocorrer sem previsão legal específica, encerrando ações judiciais sobre o tema.

Desde então, qualquer mudança depende de aprovação no Congresso Nacional. O projeto ainda aguarda análise nas comissões do Senado e, se aprovado, precisará passar pela Câmara dos Deputados e pela sanção presidencial.

Até o momento, não há prazo definido para a conclusão da tramitação.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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