Mais carros, mais motos: a transformação silenciosa das ruas de Anápolis
Números mostram que cada vez mais moradores recorrem ao transporte individual, especialmente automóveis e motocicletas

Em apenas dez anos, Anápolis ganhou quase 95 mil veículos a mais circulando pelas ruas. Enquanto a população cresceu 13,3% entre 2016 e 2026, a frota total de veículos aumentou 37,5%, um ritmo quase três vezes superior ao crescimento demográfico.
Os números são da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e revelam uma mudança na forma como a população se desloca: cada vez mais moradores recorrem ao transporte individual, especialmente automóveis e motocicletas, enquanto o transporte coletivo perde espaço na rotina urbana.
Em 2016, Anápolis tinha uma população estimada em 370 mil habitantes e uma frota de 251.574 veículos, de todos os tipos. Dez anos depois, a população chegou a 420 mil moradores, mas a frota saltou para 346.011 veículos.
Os automóveis de passeio continuam sendo a principal categoria da frota. O número de carros passou de 126.045 para 166.701 no período, um crescimento de 32,2%. Na prática, isso representa cerca de 40 mil carros a mais ocupando ruas, avenidas e estacionamentos da cidade.
As motocicletas também mantiveram forte expansão. Eram 50.819 em 2016 e passaram para 67.426 em 2026, alta de 32,6%.
O aumento acompanha uma tendência observada em diversas cidades brasileiras, impulsionada pelo menor custo de aquisição, pela economia de combustível e pela expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativos, que fizeram da motocicleta uma importante ferramenta de trabalho.
Saem os ‘populares’, entram as caminhonetes e SUV’s
Mas os segmentos que mais chamam atenção são os de caminhonetes e SUV’s, chamadas tecnicamente de ‘caminhonetas’.
Segundo os dados da Senatran, o número de caminhonetes em Anápolis no período cresceu 55,3%, passando de 20.442 para 31.759 unidades. Já as SUVs registraram crescimento ainda maior: de 6.455 para 10.612 veículos, avanço de 64,3%.
Os dados refletem uma mudança no perfil de consumo da população e a crescente preferência por veículos maiores, fenômeno impulsionado pela diversificação da oferta da indústria automotiva e pelo aumento da participação dos SUVs nas vendas nacionais.
Para além das estatísticas, os números ajudam a entender uma percepção cada vez mais comum entre motoristas anapolinos: o aumento dos congestionamentos, da disputa por vagas de estacionamento e da pressão sobre a infraestrutura viária.
O cenário também aponta para uma mudança silenciosa na mobilidade urbana, na qual uma parcela crescente da população tem optado pelo transporte individual, seja por conforto, praticidade ou pela percepção de insuficiência do transporte coletivo.
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