Servidora do IML expõe aumento de mortes por dívidas em Anápolis e deixa alerta sobre riscos de bets

Sharen Machado compartilhou que nunca tinha visto um cenário similar em cinco anos de trabalho

Natália Sezil -
Servidora do IML contou que mortes motivadas por dívidas tem crescido em Anápolis.
Servidora do IML contou que mortes motivadas por dívidas tem crescido em Anápolis. (Foto: Reprodução/@sharenmachado e Bruno Peres/Agência Brasil)

Com o aumento crescente na publicidade das casas de apostas – especialmente durante a transmissão dos jogos da Copa do Mundo – o tema tem despertado cada vez mais preocupação.

O vício nas conhecidas bets e as dívidas herdadas por quem aposta têm deixado consequências irreversíveis. Em Anápolis, pelo menos três pessoas morreram no último mês por motivos ligados a esse tópico.

É o que alega a influenciadora Sharen Machado, que é servidora do Instituto Médico Legal (IML) da cidade. Ela contou, pelas redes sociais, que trabalha no órgão há cinco anos, mas ainda não tinha se deparado com um cenário tão alarmante.

A profissional destacou que presenciou seis casos de autoextermínio nos últimos três plantões que fez. Esclareceu que não dá para afirmar que todas as mortes por dívidas estavam ligadas às bets, mas explicou que familiares, muitas vezes, conseguem identificar.

Sharen detalhou, ainda, que o vício atinge todos os públicos: “de gente rica a gente pobre, de pessoas com empregos dos sonhos a baixa renda, de jovens a pessoas mais idosas… deixando carta, falando que não aguentava mais e tirando a própria vida”.

Ela conta que, cada vez que se depara com um anúncio de bet, se lembra “dos familiares indo lá buscar essas pessoas que não aguentaram, caíram em uma ilusão de que iam mudar de vida através disso”.

Além disso, fez um alerta: apontou que os influenciadores que divulgam as casas de apostas não ficaram ricos porque ganharam nos jogos, mas porque foram pagos para fazer a divulgação. E completou: “ganham comissão do dinheiro perdido pelas pessoas”.

Vale lembrar que o tema já foi discutido em uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) instituída pelo Senado em junho de 2025.

À época, a identificação de irregularidades na atuação de influenciadores que divulgam as casas de apostas era um dos principais focos do relatório.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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