O voto não tem CEP
Representação política não se mede pelo endereço do candidato, mas pelo trabalho que ele entrega

O início oficial das eleições de 2026 será no próximo domingo (16) e, em Anápolis, há uma discussão antiga: nossos representantes precisam necessariamente ser candidatos da cidade? Eu penso que não.
Anápolis tem quatro deputados estaduais e um federal, mas isso, por si só, não garante que todos tenham o mesmo compromisso ou a mesma atuação em favor da cidade. Representação política não se mede pelo endereço do candidato, mas pelo trabalho que ele entrega.
Existe um bairrismo político que parece bonito no discurso, mas pode esconder uma contradição. Se um deputado de outra cidade ajuda Anápolis, envia recursos para a saúde, apoia projetos importantes e abre portas em Goiânia ou Brasília, por que ele seria menos importante para nós do que alguém que nasceu aqui, mas pouco faz pela cidade? O eleitor não deveria escolher pelo CEP, mas pelo histórico.
Também é preciso reconhecer que política é construção. Alguns parlamentares que não nasceram em Anápolis já ajudaram a cidade em momentos importantes e demonstraram disposição para continuar ajudando. É legítimo que cada liderança faça suas escolhas, mas o eleitor precisa fazer as suas com liberdade, sem aceitar a ideia de que existe uma obrigação de votar apenas em quem tem título de eleitor ou endereço na cidade.
No fim, Anápolis não precisa de políticos escolhidos pela certidão de nascimento. Precisa de gente que tenha coragem de defender a cidade, trazer recursos, construir pontes e entregar resultados.
Se o político é daqui ou de fora, deveria ser detalhe. A pergunta principal é outra: quando Anápolis precisar, ele estará do nosso lado?
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