Nerea, pedreira, desabafa sobre ser mulher na construção: “Se sou lenta, é porque sou iniciante”
Uma jovem decidiu entrar em um setor tradicionalmente masculino e encontrou um obstáculo que não estava relacionado à sua capacidade profissional

Entrar em uma profissão dominada por homens pode significar enfrentar desafios que vão muito além do trabalho em si. Foi o que aconteceu com Nerea, uma jovem espanhola que decidiu experimentar a construção civil e passou a compartilhar nas redes sociais como tem sido a experiência.
Em meio aos aprendizados, ela também precisou lidar com uma questão que considera injusta: a associação entre ser mulher e ter menos habilidade para executar o trabalho. Para Nerea, a explicação é muito mais simples. “Se sou lenta, é porque sou iniciante”, afirmou.
A jovem defende que qualquer pessoa precisa de tempo para aprender uma profissão nova, independentemente de ser homem ou mulher.
Uma profissão tradicionalmente masculina
A construção civil ainda apresenta uma participação feminina menor do que a masculina na Espanha. Segundo dados citados pelo EL ESPAÑOL, as mulheres representaram 11,5% dos trabalhadores do setor em 2025, com 166.833 profissionais.
Apesar do crescimento, o cenário ajuda a explicar por que a presença de mulheres em obras ainda chama atenção.
Nerea conta que enfrentou dificuldades para conseguir oportunidades justamente por ser mulher. Em experiências anteriores, ela relatou que algumas conversas com possíveis contratantes terminavam quando descobriam seu gênero.
Para ela, esse tipo de situação acaba criando uma barreira antes mesmo de a pessoa ter a oportunidade de mostrar o que consegue fazer.
Nerea decidiu sair da zona de conforto
A história da jovem também chama atenção porque a construção não era seu caminho profissional definitivo. Nerea estudou Medicina e pretende seguir a carreira médica no futuro.
Antes disso, porém, decidiu viver novas experiências no exterior. Na Austrália, trabalhou em diferentes áreas e acabou experimentando o trabalho na construção.
A experiência também tem relação com sua família. Segundo relatos anteriores da jovem, o avô era carpinteiro, o que despertou sua curiosidade por profissões manuais.
Assim, o trabalho na obra surgiu como uma oportunidade de conhecer uma área diferente, aprender novas habilidades e, ao mesmo tempo, juntar dinheiro.
Aprender leva tempo
É justamente nesse processo de aprendizado que Nerea concentra uma de suas principais críticas.
Para ela, cometer erros ou executar uma tarefa mais lentamente no início não significa falta de capacidade. Afinal, quem começa em qualquer profissão precisa conhecer ferramentas, técnicas, ritmos e procedimentos.
Por isso, a jovem questiona a ideia de que uma mulher precisa demonstrar desempenho imediato para provar que pertence ao setor.
“Se sou lenta ou cometo erros não é porque sou mulher, mas porque sou nova e principiante”, afirmou Nerea.
A declaração resume a principal mensagem que ela tenta transmitir: experiência se constrói com prática, e o gênero não determina a capacidade de aprender um ofício.
Um setor que precisa de novos profissionais
Além da questão de gênero, a construção civil enfrenta outro desafio: a necessidade de renovação da mão de obra.
O envelhecimento dos trabalhadores e a dificuldade de atrair jovens têm aumentado a preocupação com o futuro do setor. Nesse cenário, ampliar a participação feminina pode ajudar a trazer novos profissionais para uma área que ainda enfrenta falta de trabalhadores.
A trajetória de Nerea, portanto, vai além de uma experiência pessoal. Ela também mostra como estereótipos podem afastar pessoas de profissões que poderiam escolher caso tivessem mais oportunidades.
No fim, sua mensagem é direta: começar devagar não significa ser incapaz. Significa estar aprendendo.
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