Brasileira largou emprego em fábrica de roupa de cama, mudou-se para a Europa e, após 4 anos de preparação, virou caminhoneira e hoje cruza países trabalhando ficando até 20 dias fora de casa

Casal brasileiro encontrou no transporte uma forma diferente de construir a vida

Magno Oliver Magno Oliver -
Caminhoneira brasileira cruza países
(Imagem: Reprodução/Captura de tela/TikTok)

Uma mudança de país transformou a trajetória profissional da catarinense Mayara da Rosa. Depois de deixar o trabalho em uma fábrica de roupas de cama e se mudar para a Europa, ela passou por um período de aproximadamente quatro anos entre empregos, documentação, cursos e habilitações até conseguir atuar profissionalmente como caminhoneira.

Segundo relato publicado pela NSC Total em 15 de agosto de 2026, Mayara e o marido, Carlos Alberto Jr., chegaram primeiro à Espanha e depois se estabeleceram em Portugal, onde passaram a trabalhar juntos no transporte internacional de cargas.

O caminho até a cabine de um caminhão, porém, não foi imediato. Durante o período de preparação, os dois precisaram conciliar outras atividades com a obtenção das habilitações e documentos exigidos para o trabalho.

Mayara relata ter passado pelas categorias C e C+E, além do CAM e de cursos ligados à profissão. Como os procedimentos podem variar conforme o país e a situação do motorista, a experiência do casal não deve ser tratada como uma regra única para todos os brasileiros que pretendem trabalhar no setor europeu.

Uma rotina entre fronteiras

Depois da qualificação, Mayara e Carlos passaram a operar em dupla, cruzando diferentes países europeus com cargas. A presença de dois motoristas permite que um condutor descanse enquanto o outro assume a direção, alterando a dinâmica das viagens.

No relato da caminhoneira, os períodos de trabalho podem chegar a cerca de 20 dias consecutivos fora de casa, seguidos por alguns dias de descanso em Portugal. A rotina também inclui viagens noturnas e longos períodos dentro do veículo.

A experiência descrita pela brasileira encontra relação com as regras europeias que estabelecem limites de direção, pausas e períodos de repouso para motoristas profissionais.

Na União Europeia, a regra geral prevê até nove horas de direção diária, podendo chegar a dez horas duas vezes por semana, além de limite de 56 horas semanais e 90 horas em duas semanas. Para duplas de motoristas, há regras específicas de descanso e organização da jornada.

Vida longe de casa

Embora a rotina permita conhecer diferentes regiões da Europa, o trabalho também exige adaptação à distância da família e à vida dentro do caminhão.

No caso de Mayara, ficar aproximadamente três semanas na estrada passou a fazer parte da profissão escolhida depois de anos de preparação.

A jornada em dupla também não significa que os dois possam dirigir sem limites: os períodos de direção, pausas e descanso continuam sujeitos às normas aplicáveis ao transporte rodoviário.

A história do casal mostra que a entrada no transporte internacional europeu envolveu mais do que aprender a conduzir veículos pesados.

Foi necessário construir uma nova trajetória profissional, regularizar a documentação e concluir formações antes de assumir as viagens.

Para Mayara, a mudança iniciada com a ida para a Europa acabou levando a uma profissão que hoje permite atravessar fronteiras enquanto trabalha ao lado do marido.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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