Aos 14 anos, ele e o irmão de 8 montaram no quintal uma favela em miniatura de tijolos reaproveitados, bonecos, tinta com 450 m² e virou referência mundial
Uma brincadeira familiar cresceu silenciosamente até chamar atenção além das fronteiras brasileiras

O que começou como uma brincadeira entre dois irmãos se transformou em uma das criações culturais mais conhecidas surgidas em uma comunidade do Rio de Janeiro.
Em 1997, Cirlan Souza de Oliveira, então com 14 anos, e o irmão Maycon, de 8, começaram a montar no quintal de casa uma favela em miniatura, usando tijolos quebrados, tinta e materiais reaproveitados.
A construção foi crescendo na comunidade Pereira da Silva, conhecida como Pereirão, em Laranjeiras, e hoje ocupa cerca de 450 metros quadrados.
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A ideia rapidamente atraiu outras crianças. O vizinho Ranieri entrou na brincadeira e levou mais cinco jovens, formando o grupo que passou a desenvolver o Morrinho.
Com o tempo, os participantes criaram ruas, escadarias, casas, comércio, escola, campo de futebol e outros pontos inspirados na vida cotidiana da comunidade.
Bonecos de Lego, carrinhos e objetos pequenos passaram a representar moradores e situações dentro daquele cenário.

(Imagem: Reprodução/Captura de tela /Youtube )
Cidade de tijolos
A maquete não ficou restrita à reprodução de prédios e ruas. Os jovens criaram personagens e histórias para representar relações sociais, trabalho, lazer e conflitos presentes no cotidiano.
A proposta transformou o espaço em uma espécie de narrativa urbana construída pelos próprios moradores, dando ao projeto uma identidade artística e social.
A experiência também avançou para o audiovisual. A partir de oficinas realizadas em 2001, os participantes aprenderam técnicas de câmera e edição, dando origem à TV Morrinho.
As histórias encenadas com os bonecos passaram a ser registradas em vídeos, levando para outras pessoas uma visão produzida dentro da própria comunidade.
O projeto se tornou, assim, uma forma de expressão que uniu arte, comunicação e participação dos jovens.
Do quintal ao mundo
A criação ganhou espaço fora da comunidade e passou a integrar exposições e eventos no Brasil e no exterior. O Morrinho esteve, entre outros locais, no Museu de Arte do Rio (MAR), que apresentou uma versão da obra em 2013, e também alcançou festivais e exposições na América Latina, Europa, Estados Unidos e Ásia.
O que nasceu com dois irmãos e materiais simples acabou se tornando uma referência internacional de arte comunitária brasileira.
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