Há quase 50 anos, príncipe saudita planejou gastar mais de R$ 500 milhões para levar iceberg de 100 milhões de toneladas até o deserto
Projeto apresentado em plena década de 1970 pretendia transformar uma massa gigantesca de gelo polar em fonte de água doce para uma região árida

Muito antes dos atuais megaprojetos no Oriente Médio, uma ideia quase cinematográfica já colocava a Arábia Saudita no centro de uma discussão internacional. O objetivo era encontrar uma solução para um dos maiores desafios do país: a disponibilidade de água doce.
Em 1977, o príncipe saudita Mohammed Al-Faisal passou a defender um plano que envolvia engenheiros, pesquisadores e uma operação marítima gigantesca. A proposta previa rebocar uma enorme massa de gelo polar por milhares de quilômetros até a Península Arábica.
O projeto envolvia um iceberg de aproximadamente 100 milhões de toneladas, retirado da Antártida. Na época, uma das estimativas colocava o custo da pesquisa e da engenharia necessárias para a primeira operação em cerca de US$ 100 milhões.
Iceberg viajaria milhares de quilômetros até o deserto
A ideia era localizar uma grande formação de gelo na região antártica, protegê-la parcialmente contra o derretimento e puxá-la com rebocadores até a costa saudita. Depois, a água obtida com o gelo serviria para abastecimento.
Entre as propostas estudadas estava envolver o iceberg com materiais como plástico e lona para diminuir as perdas durante a viagem. Ainda assim, estimativas da época consideravam possível perder cerca de 20% da massa no caminho.
O trajeto poderia chegar a aproximadamente 11,5 mil quilômetros, segundo registros posteriores do projeto. Além disso, a viagem marítima levaria vários meses e exigiria embarcações suficientemente potentes para controlar uma estrutura gigantesca em alto-mar.
A Arábia Saudita continuaria décadas depois chamando atenção por grandes projetos no deserto, como a cidade linear The Line.
Bloco do Alasca virou demonstração em Iowa
Antes de tentar colocar o plano principal em prática, os responsáveis organizaram a primeira Conferência Internacional sobre Utilização de Icebergs, realizada na Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, em outubro de 1977. Cerca de 175 cientistas participaram das discussões.
Para chamar atenção ao projeto, um bloco de gelo retirado da região de Anchorage, no Alasca, foi levado até Iowa por helicóptero, avião e transporte terrestre. A peça pesava aproximadamente uma tonelada e custou milhares de dólares para chegar ao evento.
O pequeno iceberg, portanto, não era a massa de 100 milhões de toneladas planejada para a Arábia Saudita. Ele serviu como uma demonstração durante a conferência, na qual pesquisadores discutiram transporte, derretimento, custos e impactos ambientais.
Apesar do entusiasmo inicial, o megaprojeto nunca saiu do papel. O interesse diminuiu nos anos seguintes, principalmente diante das dificuldades técnicas, da falta de apoio governamental e do avanço de outras alternativas para obtenção de água.
Hoje, o país ainda reúne estruturas de proporções incomuns, entre elas o maior aeroporto do mundo em área.
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