Goleiro do Grêmio Anápolis atingido por bala de borracha durante confusão no Jonas Duarte receberá quase R$ 100 mil em indenização

Caso, com ampla repercussão na época, ocorreu em partida contra o Centro-Oeste pela Divisão de Acesso de 2024

Natália Sezil Natália Sezil -
Ramon Souza era goleiro do Grêmio Anápolis quando foi atingido na perna com uma bala de borracha, ainda em campo.
Ramon Souza era goleiro do Grêmio Anápolis quando foi atingido na perna com uma bala de borracha, ainda em campo. (Foto: Reprodução)

O goleiro Ramon Souza dos Reis, que foi atingido por uma bala de borracha durante um jogo do Grêmio Anápolis no Estádio Jonas Duarte em julho de 2024, será indenizado em quase R$ 100 mil.

A decisão é da 7ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, que determinou que o Governo de Goiás pague R$ 97.161,82 ao atleta.

A sentença se divide entre danos morais (R$ 70 mil), danos estéticos (R$ 20 mil) e danos materiais (R$ 7.161,82). O magistrado considerou três pontos principais.

O primeiro foi sobre a conduta do agente, que não teve justa causa nem proporcionalidade. Uma investigação da própria Polícia Militar (PM) provou que a situação não justificava o uso da bala de borracha.

O segundo foi sobre as consequências diretas do disparo, que fez com que o goleiro ficasse temporariamente afastado das atividades profissionais.

Por fim, sobre a cicatriz permanente causada pelo tiro. A decisão destacou que isso deixou um impacto grande na carreira do atleta por conta da posição de goleiro, onde a exposição do corpo é alta.

Atualmente, Ramon Souza defende o São Luís AC, que disputa a Divisão de Acesso do Campeonato Goiano. O time acumula quatro pontos e ocupa a penúltima posição da tabela.

Em tempo

O Grêmio Anápolis tinha enfrentado o Centro-Oeste pela 12ª rodada da Divisão de Acesso do Campeonato Goiano, em 10 de julho de 2024, quando jogadores das duas equipes se envolveram em uma confusão no gramado do Estádio Jonas Duarte.

Em certo momento do desentendimento, um agente da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) atirou com uma bala de borracha na direção de Ramon, que atuava como goleiro da Raposa.

O disparo acertou a coxa dele, pouco acima do joelho. Ramon foi socorrido ainda em campo. Ele sofreu uma lesão na coxa, no músculo e uma queimadura de terceiro grau na área atingida pelo disparo.

A cena foi registrada por um torcedor e compartilhada nas redes sociais, e logo repercutiu nacionalmente.

Em posicionamento oficial à época, o Grêmio Anápolis repudiou o que chamou de “lamentável, ridículo e revoltante acontecimento“. Definiu como “um ato horrível, inacreditável e criminoso de alguém que deveria prezar pela segurança e integridade das pessoas”.

A Federação Goiana de Futebol (FGF) também se pronunciou no dia seguinte, lamentando o ocorrido e afirmando que esses tipos de cenas “não devem fazer parte do cenário do futebol, principalmente em âmbito profissional“.

Já o Ministério do Esporte classificou a ação policial como “desproporcional” e “violenta”.

A pasta escreveu que o ocorrido “vai contra os princípios básicos de segurança e integridade física que devem ser garantidos a todos os envolvidos no esporte” e reforçou “a necessidade urgente de uma revisão nos procedimentos” para garantir o respeito aos direitos humanos.

O policial responsável pelo disparo foi afastado seis dias depois da confusão, enquanto a PM realizava o inquérito administrativo na Corregedoria.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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