Defensoria lança projeto em Anápolis para combater racismo religioso e proteger terreiros em Goiás

Iniciativa começa no dia 10 de setembro e prevê placas de proteção, rodas de conversa e orientação jurídica em terreiros

Lara Duarte Lara Duarte -
Projeto será lançado no Terreiro Pai Mateus de Angola e prevê ações mensais de orientação, proteção e combate ao racismo religioso.(Foto: Gustavo Burns/Dicom/DPE-GO)
Projeto será lançado no Terreiro Pai Mateus de Angola e prevê ações mensais de orientação, proteção e combate ao racismo religioso.(Foto: Gustavo Burns/Dicom/DPE-GO)

A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) lança, no dia 10 de setembro, em Anápolis, o projeto Terreiro de Direitos, voltado ao combate ao racismo religioso e à proteção de comunidades tradicionais de matriz africana.

A primeira ação será realizada no Terreiro Pai Mateus de Angola, no Jardim das Américas – Primeira Etapa, das 18h às 21h.

A proposta foi desenvolvida pela Subcoordenação de Questões Étnico-Raciais, Povos Originários e Tradicionais do Núcleo Especializado de Direitos Humanos.

Entre as atividades previstas estão rodas de conversa e oficinas de educação em direitos realizadas dentro dos próprios terreiros.

Os encontros abordarão temas como liberdade religiosa, formalização jurídica, racismo religioso, medidas de proteção e formas de denúncia.

A Defensoria também pretende levantar as principais demandas dessas comunidades para orientar futuras ações institucionais.

Placas serão instaladas

Outra frente do projeto será a instalação de placas de proteção nos espaços visitados, com caráter educativo e preventivo.

O material identificará o terreiro como espaço sagrado e trará informações sobre a garantia constitucional da liberdade religiosa, além de reforçar que o racismo religioso é crime.

As atividades serão itinerantes e realizadas uma vez por mês. Inicialmente, 12 terreiros de Goiás serão contemplados.

Segundo a DPE-GO, a intenção é ampliar a presença da instituição junto às comunidades e fortalecer os canais de orientação, escuta e proteção.

Dados mostram cenário de violência

A iniciativa surge em meio a números que revelam a frequência de episódios de discriminação contra religiões de matriz africana.

A pesquisa Respeite o Meu Terreiro, realizada em 2024, apontou que 76% dos integrantes de terreiros entrevistados afirmaram já ter sofrido racismo religioso.

Além disso, 80% das casas religiosas relataram situações de discriminação, violência ou perseguição motivadas pela fé. O levantamento também indicou que 74% dos terreiros já sofreram ameaças, ataques ou destruição de espaços e objetos sagrados.

Em Goiás, outro levantamento registrou 39 casos de intolerância religiosa entre 2020 e 2021. A própria Defensoria destaca, porém, que a subnotificação ainda é um dos principais obstáculos para dimensionar o problema.

De acordo com a pesquisa de 2024, apenas 26% dos casos chegaram a ser formalmente registrados junto às autoridades, enquanto 12% das vítimas recorreram ao Disque 100.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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