Após demitir mais de 6 mil funcionários e fechar 28 lojas, fundador de gigante dos supermercados vê fortuna cair R$ 4,2 bilhões em 1 ano

Os últimos meses foram marcados por decisões importantes dentro de uma das maiores empresas do setor

Cristiano Roonowa Cristiano Roonowa -
Ilson Mateus Rodrigues fundador de supermercados
(Foto: Reprodução)

O fundador de uma das maiores redes de supermercados do Brasil viu sua fortuna diminuir de forma significativa em apenas um ano. Ilson Mateus Rodrigues, principal acionista do Grupo Mateus, passou de um patrimônio estimado em R$ 7,7 bilhões para R$ 3,5 bilhões, segundo a lista de bilionários da Forbes de 2026.

A redução de R$ 4,2 bilhões aconteceu em um período de mudanças importantes dentro da companhia, que fechou 28 lojas e reduziu o quadro de funcionários em cerca de 6,6 mil pessoas.

Apesar dos números chamarem atenção, a queda do patrimônio do empresário não está ligada a um único fator. A desvalorização das ações da companhia, a reestruturação das operações e questões fiscais também pesaram nesse cenário.

Quem é Ilson Mateus?

Ilson Mateus Rodrigues é o fundador e principal acionista do Grupo Mateus, empresa que começou de forma pequena no Maranhão e cresceu até se tornar uma das maiores redes de varejo alimentar do país.

A trajetória empresarial começou em 1986, quando ele abriu uma mercearia de aproximadamente 50 metros quadrados em Balsas, no sul do Maranhão.

Com o passar dos anos, o negócio se expandiu para outras cidades e passou a atuar também no atacado e no modelo de atacarejo.

Em 2020, o Grupo Mateus abriu capital na Bolsa de Valores brasileira, a B3, tornando suas ações disponíveis para negociação no mercado.

O que aconteceu com a fortuna do empresário?

De acordo com a Forbes, o patrimônio estimado de Ilson Mateus caiu de R$ 7,7 bilhões em 2025 para R$ 3,5 bilhões em 2026.

Isso representa uma redução de aproximadamente R$ 4,2 bilhões em um intervalo de um ano.

A fortuna de empresários que possuem participação relevante em companhias abertas pode variar conforme o valor das ações das empresas. Quando os papéis se desvalorizam, o patrimônio estimado dos acionistas também pode sofrer impacto.

No caso do fundador do Grupo Mateus, a queda aconteceu justamente durante um período de pressão sobre os resultados e de reorganização das operações.

Por que o Grupo Mateus fechou 28 lojas?

As 28 unidades encerradas pertenciam à Eletro Mateus, bandeira voltada para a venda de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

Segundo a empresa, a decisão fez parte de uma estratégia para reorganizar o portfólio e concentrar esforços em operações consideradas mais rentáveis.

Entre os fatores apresentados pelo grupo estavam a desaceleração do consumo, a redução do poder de compra dos consumidores e uma estrutura de despesas considerada elevada diante dos planos de expansão.

A companhia também citou mudanças na estratégia de televendas e nos canais digitais.

Mais de 6 mil funcionários foram demitidos

A reestruturação também teve impacto direto sobre o quadro de trabalhadores.

Entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, o número de funcionários do Grupo Mateus caiu de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil.

A redução representa cerca de 6.673 trabalhadores e atingiu operações em seis estados: Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

A companhia justificou as mudanças como parte do processo de reorganização das operações.

Grupo Mateus está em crise?

Apesar do fechamento das lojas e da redução no número de funcionários, os números mais recentes não indicam simplesmente que a companhia tenha parado de crescer em faturamento.

No segundo trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou R$ 9,85 bilhões em receita líquida, alta de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, o lucro líquido ficou em R$ 237 milhões, uma queda de 39,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. As vendas nas mesmas lojas também recuaram 8%.

Ou seja, a empresa continua movimentando bilhões de reais, mas enfrenta pressão sobre sua rentabilidade e passa por uma revisão da estratégia de crescimento.

Outro problema entrou no radar da empresa

Além das mudanças operacionais, o Grupo Mateus também enfrentou uma questão fiscal.

Em junho de 2026, a Receita Federal aplicou um auto de infração de aproximadamente R$ 1,28 bilhão, relacionado a créditos presumidos de ICMS e à base de cálculo de tributos federais.

Segundo as informações divulgadas pela companhia, a perda foi classificada como possível e a empresa informou que pretende contestar a autuação.

O que pode acontecer daqui para frente?

Com a reestruturação, o Grupo Mateus passou a adotar uma estratégia mais concentrada na rentabilidade das operações.

A companhia também anunciou mudanças de bandeiras em algumas unidades do Nordeste. Em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, determinadas lojas passaram a operar sob as marcas Novo Atacarejo e Novo Mercatto.

Ao mesmo tempo, a empresa continua realizando investimentos e inaugurando novas unidades. Comunicados recentes mostram que a expansão não foi completamente interrompida, mas passou a ser analisada com critérios mais rigorosos.

A queda da fortuna de Ilson Mateus, portanto, acontece em um momento de transformação do grupo. O empresário continua bilionário, enquanto a companhia busca equilibrar expansão, rentabilidade e reorganização das operações.

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Cristiano Roonowa

Cristiano Roonowa

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). É estagiário no Portal 6 desde agosto de 2026.

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