Homem de 57 anos sai para pescar por menos de uma hora antes do trabalho, o motor do barco apaga e ele passa 26 dias à deriva no Pacífico até ser encontrado por um navio
A esperança parecia distante, mas uma oportunidade surgiu quando ninguém mais esperava

O que deveria ser uma pescaria rápida antes do expediente terminou com Esau Sidemo, de 57 anos, perdido durante 26 dias no Pacífico.
Morador de Bido, em Pulau Batang Dua, na cidade de Ternate, Indonésia, ele saiu para pescar na manhã de 7 de julho.
A ideia era permanecer pouco tempo distante da costa, conseguir peixes para a família e retornar antes do início do trabalho.
Esau é servidor público e costumava pescar entre duas e três milhas náuticas da região onde morava.
Ele utilizava uma pequena embarcação pertencente ao irmão, mas o motor apresentou uma pane pouco depois da partida.
Sem conseguir consertar o equipamento, o pescador viu vento e correnteza afastarem progressivamente o barco da terra.
A embarcação não tinha comida armazenada, telefone celular ou equipamentos preparados para uma permanência prolongada no oceano.
Esau carregava apenas aproximadamente um litro de água mineral, quantidade calculada para uma saída rápida.
Nas primeiras horas, ele ainda avistou embarcações passando pela região, mas nenhum dos tripulantes percebeu sua situação.
Conforme o tempo avançava, a distância da costa aumentava e as possibilidades de retorno diminuíam.

(Imagem: Reprodução/IST.)
Alimento improvisado
Sem comida, Esau passou a depender do que conseguia encontrar sobre ou próximo da pequena embarcação.
Um peixe saltou para dentro do barco enquanto ele dormia e acabou servindo como alimento durante os dias seguintes.
Depois, ele conseguiu outro peixe e passou a secar partes da carne ao sol para prolongar sua conservação.
Também encontrou cocos flutuando no oceano e aproveitou o conteúdo que ainda estava disponível em um deles.
Quando as reservas diminuíram novamente, conseguiu capturar uma ave marinha que pousou perto da embarcação.
A carne foi dividida em pequenas porções e consumida gradualmente, enquanto outras partes eram deixadas sob o sol.
A água, porém, representava um problema ainda maior para quem havia planejado retornar poucas horas depois.
A chuva tornou-se sua principal fonte de hidratação durante o período em que permaneceu perdido. Em momentos extremos, Esau relatou ter recorrido até à própria urina para tentar suportar a sede.
Enquanto isso, familiares comunicaram seu desaparecimento às autoridades e participaram das buscas realizadas na região.
Com o passar das semanas sem notícias, parentes chegaram a acreditar que ele provavelmente não sobreviveria.
Resgate inesperado
A situação mudou em 1º de agosto, quando o cargueiro LNG Endeavour atravessava o Pacífico durante uma viagem internacional.
O navio, de bandeira francesa, seguia da Austrália para a China quando um tripulante percebeu visualmente a pequena embarcação.
O barco de Esau não havia sido identificado pelos equipamentos de detecção do navio, segundo relatos divulgados após o resgate.
A percepção visual foi decisiva para que a tripulação verificasse aquela presença incomum em uma área oceânica distante.
O LNG Endeavour retornou em direção ao pequeno barco e iniciou o procedimento para retirar Esau da água.
Ele estava fraco, mas consciente, e recebeu atendimento médico a bordo durante a viagem até a China. O navio tem cerca de 293 metros de comprimento e capacidade para transportar aproximadamente 174 mil metros cúbicos de gás natural liquefeito.
A diferença entre as duas embarcações tornou o encontro ainda mais improvável. Após chegar à China, Esau passou por procedimentos migratórios e avaliação médica antes de iniciar o retorno ao país.
Com apoio do Consulado-Geral do Brasil na região e das autoridades chinesas, ele conseguiu voltar para casa. Em agosto, já de volta a Ternate, Esau reencontrou familiares após quase um mês sem qualquer contato.
O caso terminou com vida salva, mas também deixou uma lembrança sobre os riscos de sair ao mar sem comunicação, reserva adequada e equipamento de emergência.
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