Professora universitária admite: “Não há razão para acreditar que os jovens da Geração Z terão segurança econômica”
Emprego, moradia, salários, aposentadoria e inteligência artificial estão mudando a equação econômica de uma geração que entrou na vida adulta em meio a sucessivas crises

A Geração Z está chegando à vida adulta em um momento no qual antigas promessas de estabilidade econômica já não parecem tão simples. Conseguir um diploma, encontrar um emprego, comprar uma casa e construir uma aposentadoria confortável deixou de seguir uma trajetória previsível em boa parte do mundo.
É nesse contexto que a professora Suzy Welch, da NYU Stern School of Business, passou a questionar a ideia de que esforço e formação necessariamente levarão os jovens a uma vida economicamente segura. Em suas análises sobre a Geração Z, ela argumenta que a relação tradicional entre educação, trabalho e estabilidade perdeu força.
O mercado de trabalho já mostra uma entrada mais difícil para os jovens
Os dados mais recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ajudam a dimensionar o problema. A taxa mundial de desemprego entre jovens chegou a 12,4% em 2025, enquanto entre adultos ficou em 3,6%. Com isso, os jovens apresentaram uma taxa de desemprego 3,4 vezes maior que a dos adultos.
A situação também varia conforme a região. Em 2025, o desemprego juvenil chegou a 9,8% na América do Norte e permaneceu em 15% na Europa do Norte, Sul e Ocidental. A OIT ainda aponta que, em algumas regiões, o crescimento da população jovem está acontecendo mais rapidamente que a criação de empregos.
Salários e moradia também dificultam a construção de patrimônio
Mesmo quando conseguem emprego, os jovens enfrentam outra questão: o poder de compra dos salários e o custo de vida.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informou que os salários reais cresceram 2,2% no primeiro trimestre de 2026, mas ainda não haviam recuperado, em muitos países, o poder de compra perdido após o salto inflacionário de 2022. O mesmo organismo aponta que jovens nas cidades enfrentam dificuldades específicas para acessar empregos de qualidade e moradias adequadas e acessíveis.
Isso ajuda a explicar por que a ideia de conquistar uma casa própria rapidamente pode parecer distante para parte dos jovens. O problema não é apenas quanto uma pessoa recebe, mas também quanto precisa gastar para morar, estudar, se deslocar e manter uma vida independente.
A aposentadoria também entra nessa conta de longo prazo
Outro desafio está no envelhecimento da população. Na média dos países da OCDE, a quantidade de pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas entre 20 e 64 anos deve passar de 33, em 2025, para 52 em 2050.
A mesma projeção indica que, pelas regras atualmente estabelecidas, a idade normal média de aposentadoria para quem começou a carreira em 2024 chegará a 66,4 anos para homens e 65,9 anos para mulheres. Isso mostra como os sistemas previdenciários estão sendo pressionados pela mudança demográfica.
No Brasil, a realidade dos jovens também merece atenção. Em 2025, havia 46,6 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, e 16,6% delas não trabalhavam, não estudavam nem estavam em formação profissional.
Adaptação às mudanças será diferencial
O cenário, portanto, não permite afirmar que a Geração Z necessariamente ficará sem segurança econômica. Os dados mostram, porém, que essa geração enfrenta uma combinação diferente de desafios: entrada mais difícil no mercado, pressão sobre salários e moradia, transformação tecnológica e mudanças nos sistemas de aposentadoria.
Para Welch, essa realidade ajuda a explicar por que muitos jovens passaram a questionar uma promessa que parecia natural para gerações anteriores: a de que estudar, trabalhar e esperar seriam suficientes para garantir estabilidade no futuro.
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