Crise no setor: mesmo com salários que passam de R$ 90 mil, empresas enfrentam dificuldade para encontrar profissionais
Escassez está concentrada em áreas estratégicas e faz empresas brasileiras competirem até com empregadores que pagam em dólar

A falta de mão de obra qualificada continua sendo um dos principais desafios do setor de tecnologia em 2026. Mesmo com salários elevados, empresas ainda encontram dificuldade para preencher posições que exigem conhecimento mais avançado em áreas como inteligência artificial, dados, segurança e computação em nuvem.
A disputa por profissionais de tecnologia ocorre justamente em funções que ganharam importância com a transformação digital das empresas.
Segundo o Guia Salarial 2026 da Robert Half, a procura permanece especialmente elevada em cibersegurança, engenharia de dados e desenvolvimento em inteligência artificial. A consultoria também aponta que 44% das empresas brasileiras pretendem ampliar suas equipes de tecnologia.
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Inteligência artificial e dados
Uma das maiores pressões está nas áreas ligadas à inteligência artificial.
Com empresas adotando ferramentas de IA generativa, automação e análise avançada de informações, aumentou a necessidade de profissionais capazes de desenvolver modelos, integrar sistemas e transformar grandes volumes de dados em soluções de negócio.
A Brasscom projeta que o Brasil poderá movimentar R$ 736,6 bilhões em investimentos relacionados à inteligência artificial entre 2026 e 2029. Big data e analytics também aparecem entre as áreas que devem receber aportes relevantes.
A própria Michael Page aponta dados, desenvolvimento de software e arquitetura entre as especialidades que seguem com procura elevada em 2026.
Segurança da informação
Outro grupo bastante disputado é o de especialistas em cibersegurança.
À medida que empresas armazenam mais informações na nuvem e ampliam suas operações digitais, cresce também a preocupação com ataques, vazamentos e interrupções.
O Guia Salarial 2026 da Robert Half mostra que um gerente de Segurança da Informação pode receber entre R$ 22.250 e R$ 37.250 na contratação, enquanto um coordenador da área aparece com faixa entre R$ 18 mil e R$ 24.650.
Mesmo assim, a especialização necessária reduz o número de candidatos capazes de assumir determinadas posições.
Computação em nuvem
A migração de sistemas empresariais para ambientes de nuvem também aumentou a busca por profissionais especializados.
Segundo a Robert Half, um especialista de Cloud pode ter salário inicial entre R$ 11.850 e R$ 19.100, dependendo do nível de experiência e qualificação.
A expectativa é que essa demanda continue crescendo. A Brasscom estima investimentos de R$ 765,6 bilhões em computação em nuvem entre 2026 e 2029, valor superior ao projetado para qualquer outra tecnologia analisada no estudo.
Salário alto não resolve tudo
A disputa por profissionais de tecnologia também envolve fatores que vão além da remuneração.
A Robert Half aponta que 48% dos gestores de contratação em tecnologia estão dispostos a pagar salários maiores para candidatos com conhecimentos ou certificações especializadas. Entre as competências mais valorizadas estão segurança da informação, cloud, desenvolvimento de software com IA e inteligência artificial generativa.
Além disso, flexibilidade no modelo de trabalho entrou na equação. A consultoria identificou que profissionais de tecnologia podem exigir remuneração maior para aceitar uma rotina totalmente presencial.
Isso ajuda a explicar por que simplesmente elevar o salário nem sempre resolve o problema. Em posições muito especializadas, as empresas competem por um grupo menor de profissionais que, além de experiência técnica, também avaliam flexibilidade, benefícios, perspectiva de carreira e possibilidade de trabalhar para companhias de outras regiões ou até do exterior.
O cenário ocorre em um mercado que já reúne cerca de 943 mil profissionais formais de TIC no Brasil, segundo levantamento da Brasscom divulgado em agosto de 2026.
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