Não é no Rio de Janeiro, nem em São Paulo: a segunda maior favela do Brasil fica na região com a maior renda do país
Comunidade reúne mais de 70 mil moradores e está em uma unidade da Federação que lidera o ranking nacional de rendimento domiciliar per capita

Quando se pensa nas maiores favelas brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo costumam ser as primeiras referências. Mas os números mais recentes do Censo revelam uma realidade diferente: a segunda maior favela do Brasil está em outro ponto do país, justamente em uma unidade da Federação que apresenta o maior rendimento domiciliar per capita.
O contraste chama atenção porque coloca, lado a lado, dois retratos aparentemente opostos do país: de um lado, uma das áreas de maior concentração de renda; de outro, uma comunidade com dezenas de milhares de moradores e um histórico de carências urbanas.
A segunda maior favela do Brasil fica no Distrito Federal
Segundo o Censo Demográfico 2022, a Rocinha, no Rio de Janeiro, era a favela e comunidade urbana mais populosa do país, com 72.021 moradores. Logo depois aparecia o Sol Nascente, no Distrito Federal, com 70.908 habitantes. Paraisópolis, em São Paulo, vinha na terceira posição, com 58.527 pessoas.
- Vizinho instala campainha com câmera para saber quem toca o portão e moradora ao lado descobre que aparelho grava conversas e registra quem entra e sai da casa dos vizinhos
- Pare de colocar sal grosso quando a carne estiver na brasa: o erro que pode deixar a carne salgada demais, a hora certa de temperar e a quantidade certa para usar
- Mãe cria nome inédito para a filha, enfrenta dificuldade para registrar no cartório e bebê vira a única do Brasil com esse nome
O Sol Nascente está localizado na Região Administrativa do Sol Nascente/Pôr do Sol, no Distrito Federal. O IBGE classifica o território oficialmente como Favela e Comunidade Urbana.
A dimensão do local ajuda a explicar a posição no ranking. O Censo identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas no Brasil, onde viviam 16,4 milhões de pessoas em 2022, o equivalente a 8,1% da população brasileira.
A comunidade está justamente na unidade mais rica do país
O contraste fica ainda mais evidente quando entram os dados de renda.
Em 2025, o Distrito Federal apresentou rendimento nominal mensal domiciliar per capita de R$ 4.538, o maior entre todas as unidades da Federação. A média brasileira foi de R$ 2.316.
Isso não significa, naturalmente, que os moradores do Sol Nascente tenham rendimento semelhante ao observado para o Distrito Federal como um todo. O indicador é uma média da unidade federativa e reúne realidades socioeconômicas bastante diferentes.
A própria existência de uma comunidade desse tamanho no território mostra como a renda de uma região pode esconder desigualdades profundas dentro do mesmo espaço urbano.
O crescimento do Sol Nascente veio acompanhado de desafios urbanos
O território começou como uma área rural vinculada à antiga Região Administrativa de Ceilândia e cresceu rapidamente. O IBGE já registrava problemas relacionados à infraestrutura, atendimento médico e transporte público durante o trabalho de campo do Censo.
Nos anos seguintes, obras de drenagem, pavimentação e equipamentos públicos passaram a fazer parte das políticas voltadas à região. O governo do Distrito Federal informou que, desde 2019, cerca de R$ 600 milhões haviam sido investidos em infraestrutura e equipamentos públicos no Sol Nascente/Pôr do Sol.
Sob essa perspectiva, a localização do Sol Nascente não é apenas uma curiosidade estatística. Ela expõe uma contradição urbana: estar dentro de uma das áreas de maior renda do país não garante, por si só, acesso equivalente à infraestrutura, ao transporte, ao lazer, à saúde e às demais possibilidades oferecidas pela cidade.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








