Conheça o trem luxuoso que percorre quase 3 mil km pela Austrália e transforma uma viagem de 75 horas em hotel sobre trilhos
The Ghan cruza o interior australiano entre Darwin e Adelaide com cabines privativas, refeições completas e excursões em cidades remotas

Viajar quase 3 mil km pela Austrália pode significar passar quase 75 horas dentro de um trem que funciona mais como um hotel sobre trilhos do que como um meio de transporte convencional.
Essa é a proposta do The Ghan, uma das viagens ferroviárias mais famosas do país, que atravessa praticamente o continente de norte a sul.
Na versão The Ghan Expedition, o passageiro sai de Darwin e percorre 2.979 km até Adelaide durante quatro dias e três noites, passando por paisagens tropicais, pelo deserto vermelho do interior australiano e, já perto do destino, por áreas mais verdes do sul.
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O trem atravessa a Austrália de norte a sul
A viagem começa em Darwin e faz a primeira grande parada em Katherine, onde os passageiros podem deixar o trem para conhecer a região de Nitmiluk Gorge.
No dia seguinte, a composição chega a Alice Springs, bem no coração da Austrália. A programação inclui um dia inteiro fora do trem e termina com um jantar sob as estrelas na histórica Telegraph Station.
Depois vem Coober Pedy, cidade conhecida pelas minas de opala e pelas construções subterrâneas.
Somente no quarto dia o The Ghan chega a Adelaide.

O The Ghan percorre 2.979 km entre Darwin e Adelaide, atravessando algumas das regiões mais remotas da Austrália
O tamanho do trem impressiona
Não é apenas a distância percorrida que chama atenção.
Segundo a própria Journey Beyond, o The Ghan possui, em média, 36 vagões e cerca de 774 metros de comprimento.
A composição pesa aproximadamente 1.400 toneladas e conta com cerca de 49 profissionais trabalhando durante a viagem.
Percurso: 2.979 km
Comprimento médio: 774 metros
Vagões: cerca de 36
Peso: aproximadamente 1.400 toneladas
Tripulação: cerca de 49 pessoas
Velocidade máxima: 115 km/h
Mesmo conseguindo atingir 115 km/h, o objetivo não é completar o trajeto da maneira mais rápida possível.
As longas paradas fazem parte da experiência e permitem que os passageiros conheçam regiões que ficariam apenas do lado de fora da janela em uma viagem convencional.
As cabines transformam o trem em hospedagem
Durante os quatro dias, o passageiro dorme dentro do próprio The Ghan.
Na Gold Twin, uma das categorias de entrada, a cabine possui banheiro privativo e um banco durante o dia que é transformado em beliches à noite.
Acima dela aparece a Gold Premium, com acabamento mais sofisticado, banheiro privativo e acesso a espaços próprios de restaurante e lounge.
Já a categoria Platinum oferece ainda mais espaço e acesso ao Platinum Club, vagão exclusivo com lounge, restaurante e serviço de bebidas.

As cabines funcionam como quartos durante a viagem, com categorias que vão de acomodações compactas com banheiro privativo a suítes de ultraluxo
Em 2026, o trem ganhou suítes de ultraluxo
O nível de conforto aumentou ainda mais em 2026 com a chegada das suítes Aurora e Australis.
A Aurora Suite tem aproximadamente o dobro do espaço de uma cabine Platinum e possui quarto separado, cama fixa, sala e banheiro privativo.
A Australis é ainda maior: ocupa cerca de três vezes o espaço de uma cabine Platinum e inclui quarto separado, sala completa, bar privativo, banheiro com duas cubas e serviço de mordomo.
Os passageiros dessas categorias também contam com serviço de refeições dentro da suíte, seleção de vinhos, motorista particular no início e no fim da viagem e acesso ao Platinum Club.

A Australis Suite possui quarto separado, sala, bar particular, banheiro privativo e serviço de mordomo dentro do trem
As refeições também fazem parte da viagem
O modelo é all inclusive, com refeições, vinhos e outras bebidas incluídos na tarifa.
Os cardápios são preparados dentro do trem e utilizam ingredientes associados às diferentes regiões australianas atravessadas durante o percurso.
Entre os pratos que já apareceram nos menus estão barramundi grelhado e lombo de canguru, além de ingredientes típicos da culinária australiana.
Nas categorias superiores, os passageiros fazem as refeições em espaços próprios, como o Platinum Club, que funciona simultaneamente como restaurante e lounge.
Veja abaixo como é viajar a bordo do The Ghan e conhecer as cabines, restaurantes e paisagens ao longo do percurso:
Quanto custa viajar no The Ghan?
A experiência está longe de ser barata.
Na tabela oficial da The Ghan Expedition para 2026, as tarifas variam conforme a época do ano, a categoria escolhida e as condições da passagem.
Na Gold Twin, os preços promocionais aparecem a partir de 3.990 dólares australianos por pessoa em determinadas partidas.
Nas categorias superiores, os valores sobem rapidamente.
A Australis Suite, opção mais luxuosa disponível, chega a custar mais de 20 mil dólares australianos por pessoa em determinadas épocas do ano.
| Categoria | Como é |
|---|---|
| Gold | Cabine compacta com opção de banheiro privativo e camas para a noite |
| Gold Premium | Cabine renovada e acesso a áreas premium |
| Platinum | Mais espaço e acesso ao Platinum Club |
| Aurora Suite | Quarto separado, sala, banheiro e mordomo |
| Australis Suite | Maior suíte, com quarto, sala completa, bar privativo e serviço personalizado |
O nome do trem também carrega uma história
O The Ghan não recebeu esse nome por acaso.
A origem está ligada aos cameleiros que ajudaram a abrir caminhos pelo interior australiano a partir do século XIX, transportando água, alimentos, ferramentas e outros suprimentos para regiões remotas.
O antigo serviço ferroviário ficou conhecido como Afghan Express e, com o tempo, o nome acabou abreviado para The Ghan.
Até hoje, o símbolo estampado no trem mostra um camelo acompanhado por seu condutor, uma referência direta a essa história.
Mais de nove décadas depois das primeiras viagens, o trajeto continua atravessando praticamente 3 mil km pelo interior australiano.
A diferença é que hoje o passageiro pode fazer isso dormindo em cabine privativa, tomando vinho, fazendo refeições preparadas por chefs e descendo do trem para conhecer algumas das regiões mais remotas do país.
Por isso, viajar no The Ghan é menos sobre chegar rapidamente a Adelaide e mais sobre transformar o próprio caminho em destino.
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