Casarão de fazenda em Goiás atravessa séculos com vigas gigantes e estrutura montada quase sem metal
Construção histórica impressiona pelas dimensões das madeiras e por uma técnica antiga que ajudou a preservar sua estrutura durante gerações

Um casarão de fazenda em Goiás atravessou mais de dois séculos sustentado por vigas gigantes e uma estrutura montada quase sem metal.
A construção impressiona pela técnica utilizada pelos trabalhadores da época, que recorreram a encaixes precisos de madeira para manter a edificação de pé.
Algumas das peças chegam a medir aproximadamente dois palmos de largura e atravessam espaços de até 15 metros sem apoios intermediários.
Além disso, o telhado utiliza caibros arredondados com cerca de 20 centímetros de diâmetro, posicionados próximos uns dos outros para sustentar as telhas de barro.
O imóvel faz parte da Fazenda Babilônia, localizada na zona rural de Pirenópolis, município conhecido pelo patrimônio histórico e pela arquitetura colonial.
Antigamente chamada de Engenho de São Joaquim, a propriedade foi um importante centro de produção agrícola e reúne construções associadas ao período colonial brasileiro.
Segundo o histórico disponibilizado pela própria fazenda, a origem do conjunto remonta ao final do século XVIII. Já registros patrimoniais situam a construção do casarão nos primeiros anos do século XIX.
Como o casarão foi construído com tão pouco metal?
A estrutura utiliza grossos esteios de madeira, paredes de adobe e pau a pique, além de um sistema de encaixes que permite unir diferentes partes da construção.
Em vez de depender principalmente de pregos e parafusos, os trabalhadores empregaram cavilhas de madeira, pequenas peças utilizadas para fixar as vigas.

Vigas e encaixes de madeira sustentam a construção histórica, que utiliza poucas peças de metal. (Foto: Reprodução/Fazenda Babilônia)
A técnica era especialmente importante porque o metal tinha custo elevado e chegava com dificuldade ao interior de Goiás.
Por isso, até algumas dobradiças das portas foram confeccionadas em madeira. Os pregos existentes, principalmente nos assoalhos, eram produzidos manualmente em forjas.
A construção também preserva uma ampla varanda e uma capela histórica, além de antigos muros de pedra.

Capela da Fazenda Babilônia integra o conjunto arquitetônico protegido pelo Iphan desde 1965. (Foto: Reprodução/Fazenda Babilônia)
Entretanto, a história da Fazenda Babilônia também está diretamente ligada ao trabalho de pessoas escravizadas, responsáveis por parte das construções e das atividades produtivas do antigo engenho.
A propriedade pertenceu ao comendador Joaquim Alves de Oliveira, que desenvolveu atividades agrícolas em uma época de transformação da economia goiana, anteriormente concentrada na mineração.
A importância do conjunto levou ao tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 26 de abril de 1965. Posteriormente, a fazenda também recebeu proteção patrimonial estadual, em 1980.
Atualmente, o casarão integra um roteiro de turismo histórico em Pirenópolis. Os visitantes podem conhecer aspectos da arquitetura antiga, objetos preservados e tradições gastronômicas da região, incluindo o Café Sertanejo oferecido pela propriedade.
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