Quanto custa abrir um mercadinho de bairro em 2026? Comerciantes explicam o investimento necessário para montar um negócio pequeno

Estoque, equipamentos e despesas dos primeiros meses pesam no orçamento de quem pretende abrir um comércio de bairro

Layne Brito Layne Brito -
Quanto custa abrir um mercadinho de bairro em 2026? Comerciantes explicam o investimento necessário para montar um negócio pequeno
Estoque inicial e estrutura da loja estão entre os gastos de quem pretende abrir um mercadinho. (Foto: Reprodução)

Edvaldo Prado, de 52 anos, tinha tudo planejado quando alugou uma loja de 60 metros quadrados numa rua residencial. Juntou a rescisão do emprego anterior, orçou R$ 70 mil e imaginou inaugurar em dois meses. Gastou R$ 105 mil antes de abrir a porta, e o dinheiro de reposição acabou na sexta semana.

“Gôndola cheia parece sucesso, mas é dinheiro parado. Comprei demais de tudo e faltou caixa para pagar o aluguel e a conta de luz do freezer”, diz ele.

A vizinha de rua, Sandra Lopes, de 47, tem um mercadinho há nove anos e conta que a maior economia veio de equipamentos usados. “Freezer e prateleira de segunda mão em bom estado me pouparam milhares. O que não dá para economizar é a reserva para os primeiros meses.”

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Quanto custa montar um mercadinho

Não existe um número único, e os guias de abertura de negócio trazem faixas bem diferentes. Um mercadinho compacto, de 40 a 80 metros quadrados, pode começar a partir de R$ 30 mil, segundo o Correio do Estado.

Para uma loja de esquina de 40 a 60 metros quadrados, a Venda Simples calcula entre R$ 80 mil e R$ 120 mil, já com capital de giro. Minimercados mais completos chegam a R$ 250 mil.

O peso maior da conta costuma estar no estoque e na reserva de dinheiro. Para uma loja de 80 metros quadrados, a Venda Simples estima de R$ 28 mil a R$ 56 mil de estoque inicial e de R$ 24 mil a R$ 40 mil de capital de giro para três meses.

A reforma e a instalação elétrica ficam entre R$ 5 mil e R$ 25 mil, segundo o guia do iFood para parceiros. Os guias ainda lembram os documentos: CNPJ, alvará de funcionamento, licença sanitária, autorização do Corpo de Bombeiros e balanças com selo do Inmetro.

O setor cresce, mas a margem é apertada

Só no primeiro semestre de 2025, mais de 29 mil mercadinhos foram abertos no Brasil, cerca de 162 por dia, alta de 8,5% sobre 2024, segundo levantamento do Sebrae.

Sete em cada dez são MEI. O lucro líquido, segundo o iFood, costuma ficar entre 4% e 12% do faturamento, com a maior parte das lojas entre 6% e 8%.

A economista Jane da Costa recomenda separar as contas da empresa das pessoais, conhecer o perfil dos moradores do bairro para ajustar o que se vende e usar WhatsApp e delivery para fidelizar clientes.

“Na prática, quem já está no ramo repete o conselho: começar com estoque menor, comprar refrigeração usada em bom estado e guardar capital de giro para pelo menos três meses antes de abrir”.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.