Faxineira passa anos juntando dinheiro para construir a própria casa e encontra uma maneira diferente de economizar na obra
Depois de quase uma década guardando o que podia, ela conseguiu o terreno, mas ainda faltava a parte mais cara do sonho

Durante nove anos, Cindy Mora Abarca guardou parte do que conseguia ganhar trabalhando como faxineira com um objetivo bastante específico: ter um terreno onde pudesse construir uma casa para viver com o filho.
A economia demorou quase uma década, e mesmo assim o dinheiro não resolveu tudo.
Quando finalmente conseguiu comprar o lote, os recursos estavam praticamente esgotados. Foi então que a história tomou um rumo pouco convencional.
Em Alajuelita, na Costa Rica, Cindy entrou em um projeto habitacional que substituiu parte da alvenaria tradicional por blocos produzidos com plástico reciclado. Ao todo, cerca de 7 toneladas de resíduos foram usadas na residência.
O terreno levou nove anos para sair do papel
Cindy queria uma casa onde pudesse viver com o filho Fabrizio, que tinha 6 anos na época da construção.
Durante anos, ela separou o que podia do salário até conseguir comprar o terreno. Mesmo depois desse esforço, ainda foi necessário recorrer a um empréstimo para completar a aquisição do lote.
Com o espaço finalmente garantido, apareceu o segundo problema: faltava dinheiro para uma construção convencional.
Foi nesse momento que uma parceria envolvendo Habitat for Humanity Costa Rica, Urbarium, Ekojunto e apoio privado tornou possível seguir com a obra.
O caso lembra outras histórias em que materiais pouco convencionais passaram a substituir tijolos e reduzir etapas da construção.
Plástico descartado virou parede
O sistema utilizado é conhecido como Bloqueplas.
Em vez de tijolos cerâmicos tradicionais, a tecnologia transforma resíduos plásticos em peças modulares que se encaixam umas nas outras.
Garrafas, sacolas, embalagens e outros materiais são processados e transformados em blocos utilizados na montagem das paredes. No caso da casa de Cindy, aproximadamente 7 toneladas de plástico reciclado ganharam essa nova finalidade.
O método também acelerou uma das etapas da construção. As paredes foram montadas rapidamente porque as peças funcionam por encaixe, reduzindo a necessidade de argamassa entre cada unidade.
Essa lógica também aparece em outros sistemas construtivos em que o tipo de bloco escolhido interfere tanto no custo quanto no tempo necessário para levantar uma casa.
Obra só foi possível com ajuda
Apesar de a solução ter reduzido custos e aproveitado resíduos, a experiência de Cindy não significa que qualquer pessoa possa simplesmente trocar tijolos por plástico e repetir o resultado.
A construção fez parte de uma iniciativa habitacional com participação de organizações, tecnologia específica e trabalho voluntário.
A casa consumiu mais de 800 horas de trabalho voluntário, segundo informações divulgadas sobre o projeto. A obra começou em abril de 2018 e foi concluída naquele mesmo período.
Por isso, a economia não veio apenas da escolha do material. Houve também apoio institucional, fornecimento de recursos e mão de obra organizada.
Ainda assim, o caso mostra como resíduos que normalmente iriam para aterros puderam ser incorporados à construção de uma moradia.
Outras experiências também seguem essa lógica, como a de uma casa brasileira construída com mais de 10 mil garrafas de vidro e orçamento muito abaixo de uma obra convencional.
Depois de nove anos economizando para conquistar apenas o terreno, Cindy conseguiu transformar o lote em uma casa usando justamente aquilo que normalmente seria descartado.
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