Conheça a carne produzida em Goiás que pode custar até R$ 2 mil o quilo
Raça de origem japonesa exige criação diferenciada, alimentação especial e cuidados rigorosos que ajudam a explicar o preço elevado dos cortes

Uma carne bovina produzida em Goiás pode alcançar preços de até R$ 2 mil por quilo, dependendo do corte e de suas características.
Segundo reportagem publicada em primeira mão pelo jornal O Popular, o preço elevado é explicado por uma combinação de genética selecionada, oferta limitada e custos de produção superiores aos de raças bovinas convencionais.
Um dos principais diferenciais é o chamado marmoreio, nome dado à gordura que aparece entremeada na carne. De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu (ABCBRW), essa característica está associada à maciez, à suculência e ao sabor dos cortes.

Bovinos da raça japonesa Wagyu são criados em Goiás para produção de carne de alto valor comercial, que pode chegar a R$ 2 mil o quilo. (Foto: Reprodução/Facebook/Haras Rancho Tokarski)
Criação exige cuidados especiais
Para atingir o padrão de qualidade desejado, os animais recebem alimentação específica e passam por um manejo diferenciado.
O período de confinamento pode chegar a 18 meses, durante os quais os criadores precisam acompanhar fatores como conforto térmico, alimentação e desenvolvimento dos bovinos.
A dieta inclui ingredientes como milho moído, farelo de soja e silagem, além de nutrientes como cálcio, fósforo e magnésio. O objetivo é proporcionar condições adequadas para que os animais desenvolvam as características valorizadas pelos compradores.
A genética também influencia a qualidade da carne. Segundo a ABCBRW, o grau de marmoreio é utilizado na classificação das carcaças, com pontuação que varia de 1 a 12. Quanto maior a pontuação, maior a presença de gordura intramuscular.
Produção em Goiás atende mercado especializado
Em Goiás, o pecuarista Rogério Tokarski mantém uma criação de aproximadamente 900 animais da raça Wagyu.
Em entrevista concedida ao O Popular, o produtor contou que já havia trabalhado com raças como Nelore, Simental e Angus antes de decidir investir na criação do gado japonês.

Pecuarista Rogério Tokarski mantém criação de aproximadamente 900 bovinos Wagyu em Goiás, com produção destinada ao mercado especializado. (Foto: Reprodução/YouTube)
Atualmente, ele comercializa cerca de oito animais por mês, com a produção destinada a açougues e estabelecimentos especializados de Brasília.
O criador também explicou que a seleção genética e o manejo dos animais são direcionados à obtenção de carne com elevado grau de marmoreio, característica considerada importante para alcançar maior valorização comercial.
Além dos custos de criação, a oferta restrita e as exigências de identificação da origem contribuem para posicionar o Wagyu entre os produtos destinados ao mercado de carnes premium.
A ABCBRW mantém, inclusive, um programa de certificação que estabelece critérios para identificação, rastreabilidade e comercialização de carne Wagyu de animais puros e cruzados.
Apesar dos valores elevados divulgados para determinados cortes, isso não significa que toda carne Wagyu seja comercializada por R$ 2 mil o quilo. O preço pode variar conforme a qualidade, o corte, a origem e as características do produto.
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