Maior comunidade quilombola do Brasil ocupa território entre três cidades de Goiás
Território Kalunga reúne aproximadamente 39 comunidades, ocupa 262 mil hectares e preserva tradições que atravessam gerações

Entre serras, rios e paisagens preservadas do Cerrado, Goiás abriga o maior território quilombola do Brasil. A área impressiona pelo tamanho e guarda uma história de resistência que atravessa mais de dois séculos.
Conhecido como território Kalunga, o local ocupa aproximadamente 262 mil hectares distribuídos entre Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, no nordeste goiano.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a região reúne cerca de 39 comunidades, espalhadas por áreas de serras, vales e vegetação nativa.
A história do povo Kalunga começou ainda no século XVIII, quando pessoas negras escravizadas buscaram refúgio em regiões de difícil acesso, especialmente durante o período de exploração do ouro em Goiás.
Com o passar das gerações, essas famílias formaram comunidades que desenvolveram maneiras próprias de viver, cultivar alimentos e preservar suas tradições.
Além disso, o isolamento geográfico de algumas localidades ajudou a manter costumes religiosos, festas populares, músicas e conhecimentos transmitidos entre pais e filhos.
Entre os núcleos mais conhecidos estão o Vão de Almas, o Vão do Moleque e o Engenho II, que possuem características próprias e continuam ligados à história do povo Kalunga.
O território também chama atenção pelas paisagens naturais. Em meio às serras da Chapada dos Veadeiros, existem cachoeiras, rios de águas cristalinas e extensas áreas de Cerrado.
Uma das atrações mais conhecidas é a Cachoeira Santa Bárbara, localizada na comunidade Engenho II, em Cavalcante. O local possui águas azul-turquesa e recebe visitantes acompanhados obrigatoriamente por guias Kalunga.
Dessa maneira, o turismo comunitário se tornou uma importante atividade econômica, permitindo que moradores apresentem sua cultura e as belezas naturais da região.
Segundo o Censo de 2022, o território oficialmente delimitado possuía 3.602 habitantes, dos quais 3.528 se declararam quilombolas.
Além da preservação cultural, a comunidade continua buscando avanços na regularização de suas terras. Em 2026, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou novas titulações para áreas do território.
Assim, o território Kalunga representa muito mais do que uma extensa área no mapa de Goiás. Suas comunidades preservam uma história de resistência, cultura e ligação com o Cerrado que continua viva após mais de 200 anos.
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