Por que a cesta básica custa mais em Anápolis do que em Goiânia? Pesquisador que fez o estudo responde

Pesquisador da UEG conta que a cidade perde para a capital na hora da compra e revela um padrão que vai deixando a cesta anapolina mais cara

Fiscais do Procon Municipal fazem pesquisa sobre preço dos alimentos
Fiscais do Procon Municipal fazem pesquisa sobre preço dos alimentos. (Foto: Victor Melo/ Prefeitura de Anápolis)

A cesta básica em Anápolis está custando mais caro em Anápolis do que em Goiânia, conforme provou estudo da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em setembro de 2026. O resultado logo chamou atenção: se a cidade estivesse no ranking das capitais com alimentos mais caros no país, ficaria em quarto lugar.

Acima, estariam apenas São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro, onde o conjunto de itens pode chegar a R$ 922,51, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em Anápolis, o custo levantado foi de R$ 900,24, valor que compromete 60,04% de um salário mínimo. Enquanto isso, Goiânia registrou R$ 808,01.

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Os dados são do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas (NEPE), que ajuda a explicar por que os alimentos acabam custando mais caro em uma cidade de menor porte.

Maurício Martinho participa do grupo desde 2023 e explicou ao Portal 6 que a pesquisa é feita diretamente nas gôndolas de sete grandes supermercados, “para saber de fato o preço com que uma pessoa comum vai se deparar”.

Maurício Martinho é pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas (NEPE) da UEG desde 2023.

Maurício Martinho é pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas (NEPE) da UEG desde 2023. (Foto: Arquivo pessoal)

O pesquisador aponta que, com poucos anos de trajetória, o NEPE ainda não consegue traçar uma série histórica como a que o Dieese tem, com levantamentos há décadas. Mesmo assim, já é possível perceber algumas semelhanças nas comparações.

“Notamos que cada produto tem um padrão bem individual”, afirma. As variações dependem das condições de cultivo ou de criação, por exemplo: o tomate é afetado pela sazonalidade e por questões climáticas, enquanto a carne é medida pelo valor internacional por se tratar de uma commodity.

Maurício chama atenção: “Alguns itens também têm uma variação maior, mas o peso é menor na cesta, então às vezes a pessoa não percebe”. Seria o caso do açúcar.

Mais caro do que na capital

Ao comparar com a capital, a resposta para a diferença é a logística. “Goiânia tende a ter alguns benefícios, naturalmente, que Anápolis não tem, por mais que seja muito próxima e tenha um porte médio”, relata o pesquisador.

Como Goiânia é um município com mais habitantes, também concentra mais redes de atacado e distribuição. “Eles acabam tendo uma demanda maior e barganham melhor o preço dos alimentos na hora de adquirir”, explica.

E complementa: “quando o preço sobe, sobe nas duas cidades. Mas quando cai, não cai na mesma proporção. Anápolis cai um pouco menos. Ao longo do tempo isso cria uma certa distorção e deixa mais caro”.

Custo de vida

Além disso, o custo de vida geral entra na conta, especialmente para a população mais vulnerável. O NEPE aponta que famílias em Anápolis gastam cerca de 24% do orçamento em alimentação.

Em Goiânia, a renda média costuma ser mais alta. Por isso, o aumento pode não pesar tanto na capital quando em municípios menores.

Também é o custo de vida que explica por que Anápolis ficaria em quarto lugar no ranking das capitais mais caras do Brasil. As cestas em São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro acabam tendo valores mais altos porque o padrão nessas cidades já é mais caro.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.