Hering se pronuncia sobre demissões em Anápolis e nega que vai sair da cidade

À portas fechadas diretor, que veio hoje de Santa Catarina, se reuniu com a chefia local e conversou com a reportagem do Portal 6

Rafaella Soares -

No último final de semana, a cidade de Anápolis se surpreendeu com a notícia de que a Hering tinha intenções de fechar a fábrica do DAIA para investir em Goianésia.

A informação foi repassada com exclusividade ao Portal 6 por um colaborador graduado da empresa, que pediu discrição, e reafirmada ao site por ex-funcionários que perderam o emprego recentemente.

Diretor Administrativo da Hering, Marciel Eder Costa saiu da sede em Santa Catarina para se reunir com a chefia de Anápolis nesta segunda-feira (13). Após o encontro à portas fechadas, o executivo recebeu a reportagem do Portal 6 disposto a comentar as controversas mudanças na companhia.

De pronto Marciel, defendeu que o que está ocorrendo são adequações frente a nova realidade de mercado no país.

“Não estamos saindo de Goiás e, muito menos, de Anápolis. Nós temos aqui no estado seis plantas e essas fábricas de distribuição são distribuídas por especialidade. Você ganha produtividade, na medida em que vai especializando suas fábricas e o que nós estamos fazendo aqui é uma reestruturação dentro dos nossos modelos. A gente vai se especializar com outras atividades e, obviamente, tem também os ajustes. É a questão de demanda e mercado”, afirmou.

Marciel Eder Costa é diretor administrativo da Hering. (Foto: Rafaella Soares)

Ele confirmou que parte da produção realmente foi deslocada para Goianésia, mas reiterou que Anápolis ficará com especialidades diferentes.

O argumento para essa medida, conforme a explicação de Marciel, é uma política da Hering para evitar a “favelização” das cidades onde a companhia têxtil está presente.

“Quando você importa a mão de obra lá do interior para a cidade grande, você gera para esse município um passivo social porque aquela pessoa que morava no interior vem para a cidade grande e o município vai ter que atender ela com escola, creche, asfalto, mais linhas de ônibus e então acaba gerando um passivo social grande para o município. A Hering faz justamente o contrário, nós provocamos o empreendedorismo”, explicou.

As demissões em massa, informalmente estimada em quase 300 pessoas por ex-colaboradores, também foi tratada na entrevista. No entanto, Marciel disse que não dispunha de um número exato.

Porém, o diretor salientou que grande parte dos funcionários recebeu a oportunidade de continuar trabalhando na empresa.

“Algumas das pessoas que foram desligadas no DAIA receberam o convite para estar aqui conosco [no Centro de Distribuição, ao lado da UEG], mas, por alguma razão pessoal e particular delas, entenderam que não era interessante a proposta. Algumas outras pessoas também foram convidadas para trabalhar em Goianésia, pois a função que elas exerciam aqui foI transferida para lá ou para outra planta”, conta.

Questionado se Anápolis estaria, então, perdendo postos de trabalho da Hering para Goianésia, ele disse que não. No entanto, confessou que a empresa atualmente não está contratando novos funcionários para repor a mesma quantidade já dispensada na cidade.

Segundo Marciel, o Centro de Distribuição da empresa em Anápolis já está passando por adequações na estrutura para abrigar funcionários da fábrica do DAIA. O galpão deve continuar funcionando, avisa o diretor, mas com produção menor.

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