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Quando a maré enche, todos barcos sobem juntos

Márcio Corrêa -
Trecho da BR-153 entre Anápolis, passando por Anápolis e o Norte do Estado. (Foto: Divulgação/Ministério da Infraestrutura)

O maior desafio do país, agora que estamos conseguindo reduzir as mortes por Covid e voltar a uma relativa normalidade, é a geração de empregos e crescimento econômico. Mais do que isto, vamos precisar de um projeto de desenvolvimento que também gere oportunidades para localidades que têm menos condições de atrair investimentos, como é o caso do Norte goiano.

Estive no início do mês em Uruaçu e Porangatu para uma série de atividades, entre elas debater com lideranças do setor produtivo projetos de desenvolvimento para a região. E o que isto tem a ver com Anápolis? Tudo. Somos o elo de ligação logístico do Sul com o Norte do Estado e também do país e à medida que o Norte goiano cresce, nós também nos beneficiamos com isto.

É dever do Poder Público buscar equacionar gargalos para garantir a competitividade de todas as regiões de um Estado. Evidentemente, nem sempre é possível remover todos os entraves, mas dá para fazer muito com programas de incentivos e investimentos em infraestrutura e qualificação profissional. Com uma economia muito baseada na agropecuária, os maiores municípios do Norte goiano enfrentam uma grande carência de empregos, apesar de seu comércio pujante e de alguns municípios terem solos ricos em minérios.

Para se ter uma ideia, segundo o IBGE, a população ocupada (empregos formais) em Porangatu representa somente 16,2% do total de habitantes. Em Uruaçu, essa proporção é de 18,6%. No caso de Anápolis, que é um pólo industrial e tem um comércio e setor de serviços mais desenvolvidos, a população formalmente ocupada chega a 27,2%. O PIB per capita de Anápolis é de R$ 37,2 mil, enquanto o de Uruaçu e Porangatu fica na casa dos R$ 21 mil.

Tanto Anápolis quanto o Norte de Goiás podem se beneficiar muito com a operação completa da ferrovia Norte-Sul e com a duplicação da BR-153. São duas obras prometidas há tempos e, no caso da Norte-Sul (cujo projeto é da segunda metade dos anos 1980), o processo está mais adiantado, pois já são transportadas algumas cargas pelos seus trilhos.

A duplicação da BR-153 é uma novela mais recente, mas repleta de idas e vindas que também atrapalham muito o progresso de Goiás, devido às condições desaforáveis da rodovia para o transporte de cargas, o que encarece o frete para o Norte do país. Os investimentos em infraestrutura logística vão garantir bases mais sólidas para o desenvolvimento do eixo Centro-Norte de Goiás, que tem Anápolis como ponto central. Mas para alcançar um avanço verdadeiramente significativo, vamos precisar de mecanismos inteligentes para levar novos investimentos privados para as regiões que ainda precisam de diversificar e ampliar seu setor produtivo.

Não é vantagem para nenhum município ser uma ilha de prosperidade rodeada por um mar de dificuldades. Quando todos prosperam juntos, as oportunidades de crescimento são muito maiores.

Márcio Corrêa é empresário e odontólogo. Preside o Diretório Municipal do MDB em AnápolisEscreve todas as segundas-feiras. Siga-o no Instagram.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal 6.

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