Goiânia tem confraria de mulheres que se reúnem para fumar charutos e fazer networking

Encontros reúnem profissionais de diversas áreas e criam relações de amizade e trabalho, além de estimular o empoderamento feminino

Pedro Pedro Hara -
Goiânia tem confraria de mulheres que se reúnem para fumar charutos e fazer networking
Mulheres se reúnem uma vez por mês para degustar charutos. (Foto: Pedro Hara/Portal 6)

A área externa da Tabacaria N1, no Setor Bueno, é o local onde cerca de 20 mulheres do grupo “Las Charuteiras Goiânia” costumam se reunir uma vez por mês para degustar charutos dos mais diferentes tipos e rótulos.

O Portal 6 conversou com duas integrantes do grupo, as advogadas Thawane Larissa – idealizadora dos encontros – e Luana Morais, uma das primeiras participantes das reuniões.

Tradicionalmente associado a um hábito tipicamente masculino, elas buscam quebrar esse paradigma e reconquistar esse local que outrora já foi feminino.

“Na Rússia, Catarina, A Grande, foi quem pediu para que colocasse anilhas no charuto, pois estragava as roupas dela. É um hábito que também é feminino, mas que foi vendido pela mídia, marketing e capitalismo, como algo masculino”. 

A confraria possui dois propósitos principais. O primeiro é reunir mulheres que tenham o hábito em comum e o outro é criar um networking com profissionais de diversas áreas.

“É um gosto em comum que une pessoas. E esta proximidade traz outros frutos, um desses é negocialmente falando. O networking que ocorre nas charutarias é muito bom e toda confraria traz esse plano de fundo. Você começa pelo charuto e vai fazendo amizades e desenvolvendo negócios”, disse. 

Por ter sido criado no meio jurídico, as reuniões ainda contam com diversas integrantes da área. Entretanto, pouco a pouco, novas profissionais estão sendo integradas.

“Direito é a principal área, pelo meio de convivência, mas existem economistas, psicólogas e engenheiras, que são empresárias no seu respectivo ramo”, pontuou.

Além de ser um hobby, as reuniões para realizar as degustações são vistas por elas como uma maneira de empoderamento feminino.

“A gente fala que é um hobby, pois significa muito no mundo feminino, significa o empoderamento, a liberdade, é poder fazer o que quer sem julgamentos”. 

Como tudo começou

O início dos encontros em Goiás ocorreu após Thawane visitar a maior confraria brasileira, que reúne 150 mulheres de todo o país, em São Paulo.

“A Thawane foi pra São Paulo e acompanhava a confraria. Quando nós começamos a trabalhar juntas eu falei que provei um charuto e ela me disse que só conseguia frequentar em São Paulo. E eu falei para reproduzirmos em Goiás e nós começamos a conversar a respeito de várias pautas e degustando charutos”. 

Nas redes sociais, a repercussão foi negativa entre as pessoas que as seguem.

“A primeira impressão foi de censura [que feio mulher fumando]. Até hoje eu recebo respostas nos meus storys algumas observações [não é conveniente você fumando charuto, pois atrapalha negocialmente]”, contou Thawane.

Entretanto, o maior número de respostas não vem de homens e sim de mulheres.

“A maior represália não é masculina, é feminina. As mulheres fazem observações que não pegam bem ter um perfil profissional e postar fumando”. 

Durante as reuniões, elas constantemente são abordadas por homens que tentam falar e indicar charutos para que elas possam apreciar.

“Uma das minhas partes favoritas é quando um homem chega e tenta te apresentar um charuto e palestrar sobre ele, mas a gente leva na brincadeira e depois vira piada. Alguns deles ficam constrangidos”, contaram aos risos. 

Expansão

Para o futuro, a dupla conta que os planos são ambiciosos de apresentar o hábito ao maior número possível de mulheres.

“Nós temos projetos futuros, mas eles foram adiados, pois passamos por um período de eleição classista. Então, isso fez com que nossas atenções ficassem voltadas para a instituição. Agora nós queremos retomar e proporcionar que várias mulheres tenham a sensação de degustar charuto, mas ficam desencorajadas”, pontuou.

Pedro

Pedro Hara

Formado pela Universidade Federal de Goiás. No Portal 6 compôs a primeira equipe de reportagem da redação de Goiânia, chegou a editor e assinou a coluna Rápidas.

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