A qualificação que precisamos para o novo mercado de trabalho

Márcio Corrêa Márcio Corrêa -
(Foto: Arquivo Pessoal – Márcio Corrêa)

Empresas que contam com jovens entre 18 e 27 anos em seus quadros de colaboradores apontam que a falta de qualificação técnica tem sido o principal entrave para a contratação de mão de obra para cargos médios e técnicos. A conclusão, que não chega a ser uma surpresa, mas joga luz sobre alguns pontos fundamentais da formação dos nossos jovens, é de uma pesquisa feita com mais de 800 empresas por entidades como o Itaú Educação e Trabalho e a Fundação Roberto Marinho.

Com o nome “Oportunidades e desafios para a inclusão profissional de jovens com ensino técnico: experiências do setor produtivo”, o levantamento também mostrou que, apesar da qualificação ser citada como a principal barreira (66% dos entrevistados), a competência comportamental é tida como um fator mais preponderante na hora da contratação. As respostas mostram que 82% das companhias preferem contratar um jovem com competência comportamental e menor qualidade técnica do que um técnico bem qualificado, mas que ainda precise desenvolver o comportamento e a postura no ambiente de trabalho.

Esses pequenos extratos da pesquisa mostram que, de forma geral, precisamos desenvolver mais a inteligência emocional e a proficiência técnica dos nossos jovens, formando profissionais mais completos para o mercado. Mas nossas escolas técnicas estão preparadas para oferecer uma formação mais completa, que contemple também as competências socioemocionais? Não acredito. Aparentemente, nossos jovens estão sendo treinados para obterem um emprego, mas não necessariamente para construírem uma carreira profissional.

Estive esta semana em Brasília, para uma audiência com o ministro João Roma (Cidadania), e estávamos falando justamente dos projetos de qualificação da mão de obra que são oferecidos pelo governo federal – alguns inclusive que queremos potencializar em cidades do Norte e do Nordeste de Goiás – e de como eles têm um papel fundamental para formar a base para uma retomada econômica. Defendo que precisamos de avançar mais em cursos que tenham uma base tecnológica muito forte, além de proporcionar mais conhecimento de gestão da carreira.

O mercado de trabalho mudou muito nos últimos 20 anos com a revolução da tecnologia da informação, bem como a própria noção de trabalho e emprego. Temos que preparar nossos jovens para essa nova realidade, mais tecnológica e com empregos mais fluídos, despertando o empreendedorismo profissional e o espírito de inovação. Estas noções não são essenciais somente para quem está no topo do mercado de trabalho, mas também para aqueles que compõem a base da nossa mão de obra, para que a ascensão profissional (e também socioeconômica) seja uma realidade mais palpável do que é hoje para a maioria dos nossos jovens.

Márcio Corrêa é empresário e odontólogo. Preside o Diretório Municipal do MDB em AnápolisEscreve todas as segundas-feiras. Siga-o no Instagram.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal 6.

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