Por que o mundo está ficando sem incenso natural?

Resina usada há milênios em rituais, perfumes e práticas de bem-estar enfrenta ameaça real por causa da exploração excessiva, mudanças climáticas e abandono das florestas

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Por que o mundo está ficando sem incenso natural?
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/Frans Bongers/Youtube)

O incenso natural, também conhecido como olíbano, está ficando cada vez mais raro no mundo. A resina aromática, extraída de árvores do gênero Boswellia, é usada há milhares de anos em rituais religiosos, perfumes, cosméticos e práticas de bem-estar, mas sua fonte natural está sendo rapidamente degradada.

A maior parte do olíbano vem de regiões áridas do nordeste da África e da Península Arábica, especialmente da Somalilândia. Nessas áreas, comunidades inteiras dependem da extração da resina para sobreviver, mantendo uma tradição passada de geração em geração.

O problema é que a demanda global cresceu, impulsionada pela indústria de fragrâncias, pela popularização do bem-estar e pelo uso em produtos naturais. Com isso, muitas árvores passaram a ser exploradas de forma excessiva, sem tempo suficiente para se recuperar.

Especialistas alertam que a extração feita com cortes repetidos no tronco enfraquece as árvores. Quando o processo não respeita intervalos adequados, a Boswellia deixa de produzir resina, torna-se mais vulnerável a pragas e pode morrer antes de se regenerar.

Outro fator crítico é a mudança climática. Secas prolongadas, temperaturas mais altas e solos cada vez mais pobres dificultam o crescimento das árvores e reduzem drasticamente a taxa de sobrevivência das mudas jovens.

Além disso, conflitos regionais, instabilidade política e falta de políticas de conservação fazem com que muitas áreas florestais sejam abandonadas ou exploradas sem qualquer controle ambiental.

Pesquisas indicam que, em algumas regiões, mais da metade das árvores de olíbano não consegue se regenerar naturalmente, o que coloca a produção futura em risco real. Sem mudanças no manejo, o incenso natural pode se tornar um produto raro e caro nas próximas décadas.

Especialistas defendem práticas de extração sustentável, replantio controlado e certificação da origem do produto como caminhos para evitar o colapso total dessas florestas aromáticas.

Enquanto isso, o alerta está dado: um dos aromas mais antigos da humanidade corre o risco de desaparecer justamente no momento em que o mundo mais o consome.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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