Casas nucleares? Cientistas usam radiação para criar tijolos de plástico ultra-resistentes
Inovação nas Filipinas utiliza feixes de elétrons para 'soldar' moléculas de lixo plástico, criando materiais de construção mais duráveis que os convencionais

O que para muitos é o símbolo máximo da poluição global, para um grupo de cientistas filipinos é a fundação da casa do futuro. Em uma iniciativa que une física nuclear e sustentabilidade, pesquisadores do Instituto Filipino de Pesquisa Nuclear (PNRI) desenvolveram um protótipo residencial onde paredes, telhas e pisos são feitos inteiramente de plástico reciclado.
O segredo da durabilidade extrema? Um “banho” de radiação que transforma lixo descartável em material estrutural de alta performance.
A Alquimia da Radiação: Força sem Radioatividade
A maior dúvida que surge ao ouvir o termo “casa nuclear” é a segurança. No entanto, os especialistas explicam que o processo, chamado de Extrusão Reativa Pós-Radiação, não torna os tijolos radioativos.
O coração da tecnologia está no uso de feixes de elétrons ou radiação gama para bombardear o plástico triturado. Esse procedimento altera as ligações moleculares do polímero, criando conexões internas muito mais estáveis e potentes. Na prática, a radiação funciona como uma “supercola invisível” que reorganiza a estrutura do plástico, resultando em tijolos e telhas com resistência mecânica superior à de muitos materiais convencionais.
Do Rio para o Alicerce
O projeto foca especificamente em plásticos de baixo valor — como embalagens de salgadinhos e sachês — que normalmente não são aceitos pela reciclagem comum e acabam poluindo oceanos e aterros.
Impacto Ambiental: Ao transformar esse resíduo em insumo para a construção civil, o projeto retira toneladas de poluentes da natureza.
Impacto Social: O baixo custo de produção torna essa tecnologia uma aliada poderosa para combater o déficit habitacional em países em desenvolvimento, oferecendo moradias dignas e acessíveis para famílias em situação de vulnerabilidade.
Lixo é Dinheiro: Uma Mudança de Paradigma
Para o Departamento de Ciência e Tecnologia das Filipinas, o protótipo — apresentado recentemente ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi — é mais do que um experimento de engenharia; é uma lição de economia.
O objetivo é mudar a percepção pública: quando a população entender que o plástico descartado pode ser convertido em uma parede sólida ou em um telhado seguro, o resíduo passará a ser visto como um ativo financeiro. As Filipinas agora integram um grupo de nove nações que utilizam a ciência nuclear para monitorar e reprocessar detritos plásticos, elevando o patamar da reciclagem mundial.
O Futuro da Construção Civil
A construção tradicional é uma das indústrias que mais consomem recursos naturais e geram carbono. A substituição parcial ou total por componentes plásticos irradiados pode reduzir drasticamente a pegada ecológica do setor. Cada casa erguida com essa tecnologia representa um ciclo fechado: o que seria um problema ambiental eterno vira a proteção de um novo lar.
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