Supermercados deixam de oferecer sacolas plásticas em 2026 e adotam alternativas sustentáveis

Medida começou em 1 de janeiro e reacende debate ambiental e levanta dúvidas sobre até onde o comércio pode ir

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Supermercados deixam de oferecer sacolas plásticas em 2026 e adotam alternativas sustentáveis
(Foto: Reprodução/ Agência Brasil)

Quem passa pelo caixa do supermercado já percebeu que algo está mudando. As sacolas plásticas estão cada vez mais raras, e a responsabilidade de levar as compras para casa começa a cair diretamente no colo do consumidor.

A justificativa é sempre a mesma: reduzir o impacto ambiental, combater a poluição e frear o avanço dos microplásticos. Em vários lugares do mundo, essa transição deixou de ser tendência e passou a ser regra, alterando hábitos antigos e gerando reações divididas.

Foi exatamente isso que aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos. Desde 1º de janeiro de 2026, o estado passou a proibir totalmente a distribuição de qualquer tipo de sacola plástica em supermercados e estabelecimentos comerciais, incluindo aquelas mais grossas, antes classificadas como reutilizáveis.

A mudança está prevista na lei SB 1053, que fechou uma brecha deixada pela legislação aprovada em 2014. Na época, apenas as sacolas plásticas finas haviam sido banidas, o que levou ao aumento do uso de modelos mais espessos, que acabaram sendo descartados da mesma forma.

Dados da agência ambiental estadual CalRecycle mostram que o desperdício de sacolas plásticas cresceu 47% entre 2014 e 2022, impulsionado justamente por esses modelos mais grossos, que raramente são reutilizados e apresentam baixa taxa de reciclagem.

Com a nova regra, nenhum tipo de sacola plástica pode ser oferecido, independentemente da espessura ou da classificação.

Supermercados, farmácias e lojas passaram a disponibilizar apenas sacolas de papel reciclado ou a incentivar que os clientes levem suas próprias bolsas reutilizáveis.

O objetivo central da medida é reduzir a poluição ambiental e a disseminação de microplásticos, já que sacolas estão entre os resíduos mais encontrados em praias, rios e ecossistemas costeiros.

Mesmo as versões mais resistentes se fragmentam rapidamente e entram na cadeia alimentar.

Especialistas estimam que a eliminação total das sacolas plásticas possa retirar mais de 11,5 bilhões de unidades do meio ambiente todos os anos apenas na Califórnia.

E no Brasil, como fica?

Por aqui, o caminho tem sido diferente. Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que supermercados e estabelecimentos comerciais não são obrigados a fornecer sacolas plásticas gratuitamente aos clientes.

A decisão derrubou uma lei da Paraíba que exigia a distribuição sem custo e teve como base o princípio da livre iniciativa.

Para o relator, ministro Dias Toffoli, a obrigatoriedade representava um ônus financeiro aos comerciantes e poderia caracterizar venda casada se não houvesse opção de escolha.

Na prática, isso significa que o comércio pode deixar de oferecer sacolas, desde que não impeça o consumidor de utilizar embalagens próprias ou alternativas viáveis para transportar suas compras.

Enquanto regras mais rígidas avançam fora do país, o debate segue aberto no Brasil, dividido entre sustentabilidade, direitos do consumidor e os limites da atuação do comércio no dia a dia da população.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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