O experimento ecológico que saiu do controle: quando milhões de joaninhas viraram um problema ambiental
O que começou como solução natural contra pragas agrícolas acabou se tornando uma das maiores invasões biológicas já registradas na Europa

Durante décadas, joaninhas foram vistas como aliadas da agricultura por se alimentarem de pulgões, pragas comuns em lavouras e estufas.
A estratégia parecia simples, barata e ambientalmente correta.
A partir dos anos 1980, países europeus passaram a introduzir uma espécie específica, a joaninha-asiática, originária do leste da Ásia.
O objetivo era reduzir o uso de agrotóxicos e proteger plantações de forma natural. Nos primeiros anos, o plano funcionou.
As joaninhas eliminaram grandes colônias de pulgões com rapidez impressionante.
O problema surgiu quando a espécie começou a se espalhar fora das áreas controladas.
Por volta de 2004, pesquisadores perceberam que o inseto havia perdido qualquer limite de expansão.
Diferente das espécies nativas, a joaninha-asiática se adapta facilmente a vários climas, se reproduz rápido e não depende apenas de pulgões para sobreviver.
Quando o alimento falta, ela passa a devorar ovos e larvas de outros insetos, incluindo joaninhas locais.
Em pouco tempo, populações inteiras de joaninhas nativas entraram em colapso em várias regiões da Europa.
Em algumas áreas, mais de 80% dos insetos observados pertenciam à espécie invasora.
O impacto não ficou restrito ao campo.
Durante o inverno, milhões de joaninhas passaram a invadir casas, prédios históricos e até hospitais em busca de abrigo.
Além do incômodo visual, elas liberam substâncias defensivas que mancham superfícies e podem causar reações alérgicas em algumas pessoas.
O fenômeno gerou prejuízos econômicos e preocupação sanitária.
Na agricultura, os efeitos também foram inesperados.
Em regiões produtoras de vinho, joaninhas esmagadas junto às uvas alteraram o sabor da bebida, causando perdas para vinícolas.
Com o avanço descontrolado, a joaninha-asiática passou a ser considerada uma das cem espécies invasoras mais problemáticas do mundo.
Especialistas afirmam que a erradicação total é inviável.
Hoje, o caso é usado como alerta global sobre os riscos de intervenções ecológicas sem estudos de longo prazo.
A história mostrou que até soluções “verdes” podem gerar danos duradouros ao meio ambiente.
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