Espécie aquática que cava túneis de até 1 metro e resiste a secas extremas preocupa cientistas ao alterar o fluxo da água

Lagostim Yabby altera o fluxo da água, resiste à seca e se espalha com a irrigação agrícola, gerando impactos ambientais inéditos e desafiando pesquisadores em vários países

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
lagostim Yabby esta alterando o ecossistemas dos rios
Uma espécie pouco conhecida vem chamando a atenção de pesquisadores por sua capacidade de adaptação e pelos efeitos inesperados que provoca onde se instala (Imagem: Reprodução)

Ele parece um crustáceo inofensivo, mas está mudando o equilíbrio dos ecossistemas de rios e fazendas.

O lagostim Yabby, conhecido cientificamente como Cherax destructor, é um animal de água doce capaz de cavar túneis de até um metro de profundidade e sobreviver em períodos de seca que matariam outras espécies.

Originário da Austrália, o Yabby ganhou o apelido de “cavador de buracos” porque vive em ambientes aquáticos e respira por brânquias, mas sobrevive escondido sob o solo.

Quando o rio seca, ele cava até encontrar umidade e permanece enterrado por semanas ou meses, retomando a atividade assim que a água volta.

Pesquisadores da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) e de universidades australianas descobriram que esse comportamento altera o fluxo natural da água, enfraquece margens de rios e aumenta a erosão e o risco de colapso de barragens.

O impacto é maior em regiões agrícolas com sistemas de irrigação, onde a água constante cria o ambiente ideal para sua expansão.

A irrigação agrícola se tornou o principal motor da disseminação do Yabby. Canais artificiais, açudes e reservatórios oferecem um habitat estável e úmido, favorecendo a reprodução acelerada.

Em pouco tempo, os túneis escavados causam vazamentos invisíveis, perda de água e danos em estruturas de irrigação.

O problema não se limita à Austrália. Espécimes já foram encontrados em rios e lagos da Espanha, Itália e Alemanha, onde se adaptaram facilmente por não terem predadores naturais.

Nessas regiões, o Yabby compete com peixes nativos, altera a vegetação aquática e afeta a transparência da água, criando um ciclo de desequilíbrio ecológico.

Por ser respirador branquial e fazer parte da cadeia alimentar aquática, o lagostim é estudado como um “peixe subterrâneo”. Em muitos locais, é até pescado e consumido como tal.

No entanto, seu avanço descontrolado o transformou em uma das espécies invasoras mais preocupantes do mundo, segundo especialistas europeus.

Governos e centros de pesquisa tentam conter a expansão. As medidas incluem barreiras físicas em canais, rastreamento populacional e campanhas educativas para agricultores e pescadores.

Mesmo assim, cientistas afirmam que a erradicação completa é improvável, já que o Yabby pode permanecer escondido por longos períodos no subsolo.

Para os pesquisadores, o caso do Yabby é um alerta sobre como a irrigação e as mudanças climáticas estão criando novos tipos de ecossistemas e favorecendo espécies altamente adaptáveis.

Um pequeno lagostim se tornou símbolo de como a vida encontra maneiras de persistir mesmo quando a água desaparece.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias