Fim da escala 6×1 já tem data para ser aprovado pelo governo
Sinalização foi feita pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante um evento realizado na Fundação Oswaldo Cruz
A rotina de trabalhar seis dias seguidos para descansar apenas um pode estar perto do fim no Brasil. O governo federal trabalha com a expectativa de que a proposta que encerra a chamada escala 6×1 avance no Congresso Nacional e seja aprovada ainda no primeiro semestre de 2026, abrindo caminho para uma mudança histórica na jornada de trabalho dos brasileiros.
A sinalização foi feita pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante um evento realizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Segundo ele, a redução da carga semanal não é apenas uma pauta trabalhista, mas uma questão de dignidade e qualidade de vida. Para o ministro, a atual escala impõe um desgaste excessivo ao trabalhador e precisa ser revista.
A mudança depende da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O texto já reúne um número expressivo de apoios na Câmara dos Deputados, com mais de duas centenas de assinaturas, o que demonstra força política para avançar nas próximas etapas.
Nos bastidores, o governo articula para acelerar o processo. Boulos afirmou que atua em conjunto com o Ministério do Trabalho e que pretende intensificar o diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para garantir que a proposta entre na pauta de votação o quanto antes.
A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais. Questionado sobre as críticas, o ministro adotou um tom duro ao afirmar que a oposição de grandes empresários a direitos trabalhistas não é novidade histórica. Segundo ele, o foco da atual gestão é priorizar o bem-estar social, mesmo diante de pressões contrárias.
Como argumento de viabilidade, o governo cita a própria experiência interna. No fim de 2025, a Presidência da República deixou de adotar a escala 6×1 para trabalhadores terceirizados que atuam no Palácio do Planalto, como equipes de limpeza e copa. Atualmente, esses profissionais já trabalham, no máximo, no regime 5×2, com dois dias de descanso semanal.
A proposta defende que a mudança traga impactos diretos na vida do trabalhador, como mais tempo para lazer e convivência familiar, redução do estresse e do esgotamento físico, além de maior equilíbrio para estudos, cuidados pessoais e saúde mental.
Se aprovada, a PEC pode marcar uma das maiores transformações recentes nas relações de trabalho no país, alterando uma lógica que há décadas dita o ritmo de vida de milhões de brasileiros.
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